Documentos obtidos pela equipe de reportagem revelam que o ex-deputado Uldurico Júnior teria negociado a intermediação de cerca de 2 milhões de reais para viabilizar a fuga em massa de 16 presos em Eunápolis, ocorrido em dezembro de 2024. A apuração, conduzida pelo Ministério Público da Bahia, pela Polícia Federal e pelo GAECO, aponta ligações entre políticos, facções criminosas e operadores envolvidos na ação, em um cenário que ganha o rótulo de Operação Duas Rosas.
Entre as evidências, está o relato de que o pai de Uldurico Júnior recebeu 200 mil reais em uma caixa de sapato, ficou com 150 mil e entregou o restante para ser depositado. Parte do pagamento teria ocorrido no bairro Juca Rosa, em Teixeira de Freitas, e a entrega final foi realizada no Santa Rita, na mesma cidade, tudo no período anterior às prisões. As informações indicam que o montante foi dividido entre os envolvidos como pagamento pelo serviço prestado no esquema.
Os documentos também trazem um detalhamento de codinomes usados pelos operadores: Galego para Uldurico Júnior, Chefe para Geddel Vieira Lima, Dina para Ednaldo Pereira de Souza (conhecido como Dada) e 02 para Sirlon. As provas indicam que o plano inicial previa a fuga de Ednaldo (Dada) e Sirlon, mas o escopo acabou se ampliando para um esquema maior, com a participação de outras pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Entre os alvos da operação, constam Alberto Cley Santos Lima, conhecido como Cley da Auto Escola, e Matheus da Paixão Brandão. A apuração também aponta a participação do próprio Uldurico Alves Pinto, pai do ex-deputado, que teria atuadono esquema ao receber parte dos recursos e repassar o montante restante conforme a necessidade da organização, atividades que reforçariam a estrutura de financiamento do crime.
A investigação cita Ednaldo Pereira de Souza, líder regional do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo com atuação local e suposta relação com facções nacionais. Os investigadores destacam que Geddel e Uldurico Júnior discutiram não apenas a fuga, mas também as apurações em curso e um encontro em Salvador, conhecido nos relatos como Rosa Chorar, relacionado ao pagamento e ao planejamento da operação.
Do ponto de vista familiar, a apuração aponta que Uldurico Júnior tentou afastar-se da situação e deixou Joneuma Neres sozinha e grávida. Exames de DNA a respeito da paternidade indicam compatibilidade alélica com elevada probabilidade de que Uldurico Júnior seja o pai biológico da filha de Joneuma, com índice superior a 99,99%. A mulher foi deixada pelo grupo após as investigações se intensificarem, e os investigadores detalham que a tentativa de incriminar terceiros também fazia parte do roteiro para desviar a atenção do núcleo do esquema.
O caso envolve, ainda, menções ao governo estadual, com relatos de que Geddel Vieira Lima mantinha influência em setores da gestão pública e que Adolpho Loyola, secretário de áreas relevantes, figura entre os nomes citados nas apurações. Até o momento, não houve pronunciamento oficial de Geddel ou de Loyola, e o governo estadual não comentou as investigações em andamento. O episódio evidencia o potencial impacto político da Bahia, ao colocar em pauta a relação entre poder público e organizações criminosas na região.
A apuração segue em curso para esclarecer o alcance real das negociações, o papel de cada envolvido e as consequências para a gestão pública na Bahia. A reportagem continua acompanhando o desdobramento do caso, que envolve autoridades nacionais e locais, e promete trazer novas informações sobre as ligações entre crime organizado e política na região. Convidamos você, leitor, a acompanhar os próximos capítulos e deixar sua opinião nos comentários, contribuindo para uma compreensão mais ampla do tema.

