Duas Rosas: Uldurico e familiares teriam recebido repasses de propina via pix e “caixa de sapato” pela fuga de detentos em presidío de Eunápolis

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Resumo executivo: Uma investigação do Ministério Público da Bahia revela um esquema de propina envolvendo o ex-deputado Uldurico Júnior, o líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), familiares e aliados. Segundo a delação da ex-diretora do presídio, Joneuma Neres, cerca de R$ 170 mil teriam sido pagos como adiantamento de uma negociação estimada em R$ 2 milhões, ligada à fuga de detentos em dezembro de 2024. As evidências, reunidas ao longo de uma série de reportagens, incluem mensagens, dados de geolocalização de celulares apreendidos e logs de encontros que apontam para a tentativa de facilitar o esquema, com pagamentos distribuídos em várias etapas entre novembro e dezembro de 2024.

Entorno e cronologia dos fatos A apuração detalha uma primeira aliança, no dia 2 de novembro de 2024, entre Uldurico Júnior e o líder do PCE, conhecido como “Dada”. Em 3 de novembro, no Restaurante Bernarda, no centro de Eunápolis, eles negociaram os termos da operação, referida como “duas rosas” — o codinome para os 2 milhões de reais combinados pela fuga de detentos. A partir desse momento, a colaboração entre as partes se intensifica, com a ex-diretora atuando como ponte entre as partes e registrando cada etapa das tratativas.

Pagamentos e entregas em espécie A primeira menção de familiares do político ocorre em meio às tratativas para a entrega do adiantamento. Em dezembro de 2024, a Polícia Civil e o Ministério Público apontam que a quantia seria paga em espécie no dia 31/12/2024, em Porto Seguro, quando um funcionário de Ednaldo (o padrinho da operação) levaria o dinheiro à casa do primo de Uldurico Júnior. Paralelamente, uma nova rodada de pagamentos teria sido solicitada após a derrota de Uldurico nas eleições de 2024, com o pedido inicial de R$ 350 mil para regularizar dívidas — Ednaldo teria adiantado R$ 200 mil.

Provas e aportes documentais A análise dos quatro aparelhos celulares apreendidos com Joneuma, cujas senhas a delatora cedeu em acordo de colaboração, aponta mensagens entre Joneuma e familiares de Uldurico sobre o recebimento do dinheiro. Entre 4 de novembro de 2024 e 2 de dezembro de 2024, registros indicam encontros em Eunápolis e Teixeira de Freitas, com pagamentos efetivos: cerca de R$ 150 mil retidos pelo pai de Uldurico Júnior, e o restante dividido entre diferentes destinatários, incluindo R$ 21.600,00 pagos a Uldurico Júnior e R$ 24 mil via PIX para Gustavo Frazão.

Convergência de relatos e novos pedidos A delação também aponta uma nova solicitação de adiantamento em 25 de novembro de 2024, com a necessidade de mais R$ 20 mil. Parte dos recursos já liberados foi entregue a terceiros — R$ 15 mil em espécie a Cristiane Pinto da Paixão, mãe de Matheus Brandão, e R$ 5 mil transferidos por PIX à mesma destinatária. Ainda, em 2 e 3 de dezembro de 2024, encontros em frente ao Hotel Oceania e em outra agência bancária consolidaram a narrativa de pagamentos adicionais, incluindo a entrega de dinheiro em caixa dentro de uma caixa de sapato, e transferências associadas a terceiros, como Cley da Autoescola.

Desdobramentos e leitura do MP Os documentos apontam que, mesmo após o adiantamento de parte do valor, os 2 milhões não teriam sido quitados. Segundo Joneuma, as negociações passaram a ocorrer diretamente entre Dadá e Uldurico, com a intermediadora sendo pressionada a manter sigilo sobre o esquema. O Ministério Público destaca que as mensagens de 3 de janeiro de 2025 fazem referência ao andamento da suposta operação, com menções a “chorar as rosas” como código para o pagamento do restante do montante. A investigação também sinaliza que Geddel Vieira Lima — figura associada ao MDB — era citado como alguém com participação relevante no esquema.

Imagens resultantes das investigações, registradas nos celulares apreendidos, mostram as conversas entre Joneuma e os envolvidos, bem como a localização geográfica que embasaria as visitas à residência do pai de Uldurico Júnior em Teixeira de Freitas, corroborando a linha de apuração sobre encontros para a entrega de valores. Um conjunto de documentos, comprovantes de pagamentos e capturas de tela reforça o mosaico de provas reunidas pelo MP.

Este caso, intitulado pela imprensa popularmente como a investigação das “Duas Rosas”, revela uma estrutura de pagamentos distribuídos, com recursos em espécie e transferências, e evidencia a complexidade de um esquema que envolve política, crime organizado e perícia técnica para rastrear cada etapa. A conclusão oficial aponta que a soma acordada não foi plenamente paga, mesmo após adiamentos e negociações intermediadas pela ex-diretora do presídio, o que acende o debate público sobre a integridade de atores locais, a influência de lideranças políticas e o papel da Justiça na elucidação de casos de corrupção.

Palavras-chave: Eunápolis, Duas Rosas, propina, Uldurico Júnior, Dadá, PCE, MP-BA, Joneuma Neres, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Geddel Vieira Lima, dinheiro em espécie, PIX, delação.

Conclusão A apuração do MP-Bahia segue para cruzar dados com outras diligências. O que já está claro é que os contatos entre políticos, familiares e lideranças criminosas tiveram fases bem definidas, desde alianças iniciais, negociações de alto valor, até a tentativa de efetivar o pagamento final. O leitor é convidado a acompanhar as próximas etapas da investigação e a deixar sua opinião nos comentários sobre o tema, contribuindo para o debate público sobre corrupção e transparência na região.

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Meta descrição para SEO: Investigação do MP-BA revela esquema de propina envolvendo ex-deputado Uldurico Júnior e líder do PCE ligado à fuga de detentos em Eunápolis. Delações, pagamentos em espécie, mensagens e geolocalização corroboram a operação chamada “Duas Rosas”. Acompanhe os desdobramentos.

Se você quer acompanhar atualizações sobre esse caso e entender como a justiça atua diante de denúncias consistentes, deixe sua opinião nos comentários. Sua leitura e participação ajudam a melhorar a cobertura sobre corrupção e segurança pública na região.

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