“Lavagem de medicamentos”: remédios roubados eram destinados à saúde pública. Vídeo

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Operação Alto Custo: Polícia Civil desmantela esquema de lavagem de medicamentos no Distrito Federal

Resumo rápido: a Polícia Civil do Distrito Federal desmantelou uma organização especializada na chamada “lavagem de medicamentos” usados no tratamento de câncer, doenças autoimunes e pacientes transplantados. A operação Alto Custo resultou em 17 mandados de busca e apreensão, cinco prisões preventivas e a recuperação de uma carga de remédios avaliados em 4 milhões de reais. As investigações apontam que o grupo atuava há pelo menos seis anos, desviando medicamentos de alto valor para vender por meio de empresas de fachada, com risco direto para pacientes em hospitais públicos.

A ação, deflagrada na sexta-feira (17/4) pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), teve coordenadoria do delegado Laércio Rosseto e revelou um esquema complexo com atuação nacional. Segundo as diligências, o grupo operava em várias etapas: o estoque era alvo de furtos, os remédios eram revendidos e, em muitos casos, perdia-se o controle de refrigeração, o que comprometia a eficácia dos fármacos e colocava pacientes em risco.

As informações da delegacia apontam ações do grupo no Distrito Federal, em Goiânia (GO), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Cidades do entorno do DF, como Valparaíso de Goiás (GO) e Novo Gama (GO), também registraram movimentações ligadas ao esquema. Remédios como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso eram alvo de roubo ou desvio, com custo de até 80 mil reais por caixa. A suspeita é de que grande parte desses medicamentos tenha perdido a validade ou a eficácia devido à má conservação, virando verdadeiros placebos ou, em casos graves, tóxicos para pacientes.

“O princípio ativo [da medicação], depois de determinado tempo, perde a eficácia. Além disso, em alguns casos, ele pode até intoxicar o paciente. Então, você tem uma situação muito grave, porque a pessoa está recebendo uma toxina. E é possível que, sem saber, estejam morrendo por um medicamento que deveria fazer o bem e está fazendo o mal”, detalhou o delegado.

Para ampliar o alcance da fiscalização, foi firmada uma parceria entre a PCDF e a Anvisa, visando monitorar as cargas interceptadas e apurar possíveis novas revendas dos medicamentos desviados. A imprensa foi informada de que a investigação aponta que a organização contava com uma distribuidora lícita que funcionava dentro da lei: a carga era desviada para laboratórios, que produziam e colocavam no mercado. Em seguida, uma distribuidora recebia e repassava os comprimidos para as redes de fachada, que efetuavam as transações de venda com finalidade puramente ilícita.

O caso mais recente de interceptação ocorreu em 31 de março, em Niterói (RJ), quando uma remessa destinada a uma cidade fluminense foi interceptada após sair de uma distribuidora em MG. Ao chegar ao Rio, criminosos armados tentaram tomar a carga. Em Brasília, a operação resultou na recuperação de remédios interceptados em um depósito de uma empresa de fachada em Samambaia (DF), com valor estimado em 4 milhões de reais.

“Isso leva a gente a investigar se [a lavagem de medicamentos] tem alguma relação com facções criminosas, como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital”, acrescentou o delegado.

Foi revelado ainda um esquema interno dentro da distribuidora, com 13 funcionários envolvidos na retirada de medicamentos do estoque, ocultação em caixas para descarte e transporte até a doca de expedição, onde eram entregues a terceiros para distribuição às distribuidoras fantasmas. A operação também aponta uma possível ligação entre o esquema de medicamentos desviados e redes de crime organizado, o que motiva investigações adicionais.


Como funcionava a “lavagem de dinheiro”

  • O grupo interceptava cargas de distribuidoras lícitas por meio de roubo ou furto;
  • As medicações eram vendidas por meio de empresas de fachada;
  • O líder do esquema, identificado como Alécio Soares Silva, movimentou cerca de R$ 22 milhões em um ano;
  • O lucro advinha de um sistema de emissão de notas fiscais frias, para dar aparência de legalidade a remédios roubados;
  • As investigações indicam atividade em pelo menos três empresas: duas em Goiás e uma em Samambaia (DF).

Integrantes do esquema

Conforme o delegado Rosseto, os 13 funcionários recebiam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mas o colapso de sigilo bancário mostrou ganhos bem superiores. Em alguns casos, estimou-se que o montante ultrapassava milhões de reais. Quase todos foram indiciados pela PCDF. Três integrantes foram presos, enquanto dois seguem foragidos: o líder Alécio Soares Silva e Danilo Gonçalves de Souza.

“A princípio, o líder da organização repassava uma parte considerável do que movimentavam, porque começaram a ganhar muito. A gente ainda acredita que o valor total é ainda maior”, afirmou o delegado.

Além dos 13 funcionários, outras três pessoas foram presas. As investigações continuam para mapear a extensão do grupo e o eventual envolvimento de outras localidades. As imagens oficiais destacam as apreensões realizadas durante a operação, além de registros que mostram caixas contendo remédios desviados e a movimentação entre depósitos, aeroportos e distribuidoras.

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Metrópoles

Os medicamentos foram apreendidos em operação da PCDF

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Os medicamentos foram apreendidos em operação da PCDF

Reprodução / PCDF

Estão foragidos: Danilo Gonçalves...

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Estão foragidos: Danilo Gonçalves…

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... E Alécio Soares

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… E Alécio Soares

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Operação Alto Custo

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Operação Alto Custo

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Mais apreensão

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Mais apreensão

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Informações sobre o paradeiro da dupla podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, no número 197. Ao todo, a ação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e prendeu preventivamente cinco pessoas. A operação contou com o apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Polícia Civil de Goiás (PCGO), fortalecendo a cooperação entre estados na repressão a crimes contra a saúde pública.

Este caso lança luz sobre uma prática de risco, que transforma remédios de alto valor em mercadorias ilícitas. A vigilância de agências sanitárias e a atuação integrada entre as polícias estaduais e federais são cruciais para interromper esse fluxo, proteger pacientes e evitar danos à rede de saúde pública.

Se você tem informações sobre atividades suspeitas relacionadas a medicamentos ou redes de distribuição ilícita, pode ligar para o Disque-Denúncia 197 ou consultar a polícia local. Sua colaboração é essencial para evitar novos desvios e proteger a população.

Agora, queremos ouvir você: na sua cidade, quais medidas poderiam fortalecer a fiscalização de remédios de alto valor e evitar desvios durante o transporte? Deixe seu comentário com sugestões, experiências ou perguntas sobre o tema.

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