Resumo curto: um estudo conjunto da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) mostrou que pacientes com doença renal crônica (DRC) têm risco significativamente maior de complicações e de morte por dengue. O grupo apresenta até três vezes mais chance de falecer e até 2,5 vezes maior probabilidade de formas graves, mantendo esse efeito mesmo após ajustes por idade e comorbidades. Com mais de 30 mil casos de DRC entre os infectados em 2024, a pesquisa ressalta a necessidade de atenção clínica especial e reforça ações simples de prevenção para reduzir a transmissão do mosquito Aedes aegypti na cidade e na região.
O estudo, desenvolvido pela FM de Botucatu (Unesp) em parceria com a UFC, analisou milhões de registros de dengue no Brasil em 2024. Ao identificar pacientes com DRC entre os infectados, a pesquisa confirmou que a doença renal, por si só, eleva o risco de agravamento da dengue, aumentando a necessidade de internação e a incidência de complicações. Esses achados permanecem estáveis mesmo após ajustes estatísticos, destacando a DRC como fator relevante de gravidade da infecção.
Na prática clínica, a dengue costuma se manifestar de forma mais intensa em pessoas com DRC. Além de náuseas e dores pelo corpo, essas pacientes apresentam maior risco de complicações hemorrágicas. A relação entre dengue, doença renal crônica, diabetes e hipertensão é especialmente relevante, já que muitas vezes há comorbidades associadas que dificultam a recuperação. A mensagem central dos pesquisadores é clara: a DRC, isoladamente, eleva de modo significativo o risco de piora da dengue e exige vigilância mais estreita.
Entre os dados do levantamento, destacam-se números que ajudam a dimensionar o impacto: a análise de 2024 identificou mais de 30 mil pacientes com DRC entre os infectados. O risco de morte chega a triplicar e o de formas graves, a 2,5 vezes, mesmo quando se leva em conta outros fatores. Esse quadro reforça a necessidade de estratégias clínicas mais agressivas e de acompanhamento cuidadoso de pacientes renais durante quadros de dengue, com foco em monitoramento de função renal, controle de sangramentos e manejo de infecções associadas.
Além dos aspectos clínicos, o estudo reitera medidas simples de prevenção contra o Aedes aegypti, que podem salvar vidas. A população deve esvaziar e limpar com frequência vasos de plantas, pratinhos e garrafas; manter caixas d’água bem fechadas e descartar corretamente o lixo que possa acumular água. Limpar calhas e ralos evita acúmulo de água parada; piscinas devem ficar cobertas com lonas bem esticadas; baldes e recipientes precisam estar virados para baixo. Não se esquece de verificar bandejas de geladeira e ar-condicionado, que também podem reunir água.
Para quem convive com DRC, a mensagem é clara: a dengue exige atenção redobrada e acompanhamento médico mais próximo. A função renal comprometida dificulta a resposta do organismo à infecção, tornando o diagnóstico rápido e o tratamento eficaz ainda mais importantes para reduzir internações e complicações graves. A parceria entre a Unesp e a UFC coloca em evidência a urgência de políticas de saúde voltadas a esse grupo, especialmente nas regiões com alta circulação do mosquito.
E você, leitor, já observou casos de dengue em pessoas com doença renal crônica próximo a você? Compartilhe suas experiências, dúvidas ou opiniões nos comentários para ampliarmos o diálogo e fortalecermos a proteção de quem está mais vulnerável neste período de dengue.

