Apesar de “amadores”, ladrões de banco em MG seguem fugindo da polícia

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Guidoval, Minas Gerais — por volta das 3h da madrugada do dia 10 de abril, um grupo de aproximadamente dez homens invadiu uma agência do Banco do Brasil na cidade, detonou ao menos um caixa eletrônico e levou um malote, em uma operação que envolveu bloqueios de vias com pneus e veículos incendiados. No momento, quatro suspeitos já foram presos, enquanto os demais ainda estão foragidos. O episódio acende o debate sobre o que houve: seria uma ação de Novo Cangaço ou apenas um caso de criminalidade violenta de baixa complexidade?

A leitura inicial dos desdobramentos aponta para uma operação de alto risco, com uso de explosivos e táticas de domínio de território, mas especialistas divergem sobre o alcance e o preparo dos envolvidos. A governança regional procurou acalmar a população ao afirmar que não se tratava de Novo Cangaço e que, neste caso, os autores seriam conhecidos como criminosos comuns, ainda que a violência tenha sido intensa. A pesquisadora Roberta Fernandes, do Crisp UFMG, avalia que Guidoval quase não se enquadra no modelo tradicional do Novo Cangaço, descrevendo a ação como uma combinação de roubo qualificado com elementos de planejamento, porém com sinais claros de baixa organização entre os autores.

Segundo a especialista, para ser classificado como Novo Cangaço o grupo deveria apresentar estrutura maior e maior capacidade de sustentar ações com menor chance de falha. Ela afirma que Guidoval revela uma tentativa de retomar esse tipo de crime, mas sublinha que o planejamento ainda era deficiente, o que sugere uma atuação híbrida: entre um assalto tradicional e uma estratégia de domínio de território pouco duradouro. A análise indica que, nos últimos anos, o fenômeno vem diminuindo no Brasil, em parte pela desarticulação de grandes quadrilhas e pela redução da circulação física de dinheiro.

A ação em Minas Gerais, segundo o professor Luís Flávio Sapori, da PUC Minas, demonstra falhas perceptíveis na execução. Ele aponta que a violência empregada e o uso de explosivos mostram uma tentativa de replicar um modelo do Novo Cangaço, mas que, no contexto atual, o grupo ainda não tinha experiência suficiente para sustentar um ataque dessa natureza. Sapori ressalta que, no fim da década passada, Minas registrou mais de 100 ocorrências desse tipo, e que o fenômeno tornou-se menos frequente recentemente devido à desarticulação de lideranças e à menor circulação de dinheiro físico.

Sobre as investigações, a Polícia Civil informou que, durante a ação, um malote foi retirado da agência, sem esclarecer o valor levado. Em Rodeiro, município vizinho, foram detidos três suspeitos — um adolescente de 17 anos e dois homens, de 21 e 35 anos —, com um dos detidos apresentando ferimentos compatíveis com estilhaços. Os suspeitos foram encaminhados a Ubá, e celulares apreendidos foram encaminhados para análise. Em Juiz de Fora, um suspeito de 47 anos, apontado como responsável pelo apoio logístico, foi preso em flagrante por organização criminosa e embaraço à investigação. A Polícia Civil informou que as buscas continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer todos os fatos.

A operação continua sob a expectativa de esclarecer a totalidade dos atores e do material levado, enquanto autoridades reforçam a vigilância na região. Em Guidoval, o episódio deixou claro que o crime violento ainda busca padrões de atuação que desafiam a polícia, ainda que não haja confirmação de uma estrutura do porte de um grupo conhecido como Novo Cangaço. A região permanece atenta aos próximos passos das investigações e às respostas dos órgãos de segurança.

O que você pensa sobre a segurança pública na sua cidade diante de esse tipo de ataque? Quais medidas poderiam aumentar a prevenção e a resposta rápida em casos de assaltos a bancos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe experiências diferentes que possam contribuir para o debate sobre segurança no nosso estado.

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