Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões

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A americana USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde Group, mineradora brasileira de terras raras, por cerca de US$ 2,8 bilhões, buscando consolidar a maior plataforma ocidental de minerais críticos para tecnologias de ponta. A operação envolve a mina Pela Ema, em Goiás, que entrou em produção comercial em 2024, após investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão.

O negócio prevê um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth. A Serra Verde é dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, a única operação fora da Ásia capaz de produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos de terras raras essenciais para ímãs permanentes: neodímio, praseodímio, disprósio e terbio.

Com a conclusão da compra, a USA Rare Earth passa a controlar toda a cadeia de terras raras — desde a extração até a fabricação de ímãs — com operações já estabelecidas nos Estados Unidos, Reino Unido, França e agora no Brasil. A Serra Verde ainda mantém um contrato de 15 anos para fornecimento de 100% da produção de Nd, Pr, Dy e Tb, com pisos mínimos de preço que asseguram receita estável ao fundo especializado financiado por órgãos do governo americano e investidores privados.

A transação é vista como estratégicamente disruptiva, ao unir capacidades de mineração, separação, metalurgia e produção de ímãs em uma única organização. A aquisição deve responder às metas de reduzir a dependência de fornecimento de terras raras da Ásia, fortalecendo uma cadeia de suprimentos mais segura. A operação também conta com apoio governamental dos EUA, incluindo a atuação da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e compromissos do Departamento de Comércio, além de licenças ambientais válidas que atestam baixo impacto ambiental, uso de energia renovável e biocombustíveis.

No discurso institucional, Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, descreveu a compra como transformadora, ressaltando que a Serra Verde é um ativo único — o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer todos os quatro elementos magnéticos em escala. Do lado brasileiro, Thras Moraitis, CEO da Serra Verde, destacou que a fusão acelera a construção de uma cadeia de suprimentos segura e diversificada, com Moraitis assumindo o cargo de presidente da nova empresa e integrando o conselho da USA Rare Earth junto com Sir Mick Davis, ex-CEO da Xstrata. Projeções indicam EBITDA anual de US$ 550 milhões a US$ 650 milhões até 2027, totalizando aproximadamente US$ 1,8 bilhão de EBITDA em 2030, com liquidez pro forma estimada em US$ 3,2 bilhões.

O fechamento da operação está aguardo para o terceiro trimestre de 2026, sujeita a aprovações regulatórias e ajustes operacionais. Com a presença ampliada em Goiás, o conglomerado espera consolidar uma plataforma global de terras raras, conectando operações de extração a usos de alto valor em veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações de defesa. O Brasil ganha relevantes protagonismos no cenário de minerais críticos, abrindo caminho para novos investimentos no setor e para uma agenda de segurança energética associada a tecnologias de ponta.

Convido você, leitor, a compartilhar sua opinião sobre esse movimento estratégico. Como vê o impacto de uma cadeia de terras raras integrada no equilíbrio geopolítico e tecnológico global? Deixe seus comentários e contribua com o debate sobre o papel do Brasil nesse cenário de minerais críticos.

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