Resumo: O ex-secretário Waldeck Ornélas, especialista em planejamento urbano-regional, disse na rádio Antena 1 que a logística de escoamento da fábrica da BYD em Camaçari representa um grande desafio para a Bahia. A montadora projeta produzir até 600 mil veículos por ano, mas a infraestrutura local pode não suportar esse volume. Os carros, segundo ele, não serão vendidos no estado e deverão ser exportados, o que depende de rodovias, ferrovias e portos eficientes. O alerta é de que a continuidade do crescimento depende de novas soluções logísticas.
Para Ornélas, as limitações incluem a inexistência de ferrovias modernas e vias rodoviárias capazes de sustentar a demanda. Com o único terminal de contêineres da região já congestionado, o escoamento fica vulnerável. A unidade fica no antigo complexo industrial da Ford e hoje é o maior polo fabril da BYD fora da Ásia, com a expectativa de empregar até 10 mil trabalhadores na fábrica baiana. O caminho para a expansão passa pela melhoria de infraestrutura em várias frentes para evitar gargalos no transporte.
A discussão sobre logística ganha ainda mais peso diante das medidas previstas para o porto local. Em dois anos, está prevista uma ampliação de 85 mil metros quadrados, porém o ex-secretário entende que esse incremento não basta para a demanda da montadora. A visão de Ornélas reforça a importância de planejar um conjunto integrado de soluções, que conecte a produção ao litoral e aos mercados nacionais e internacionais, mantendo o equilíbrio entre produção e escoamento.
A importância do tema se amplia com o lançamento recente do livro de Waldeck, Bahia – Urgências do presente, apresentado na quinta-feira (23). A obra reúne as principais demandas relacionadas à logística no estado e analisa as obras de mobilidade que ficaram travadas nos últimos dez anos. O material consolida a leitura de especialistas sobre como melhorar a malha de transporte e tornar a Bahia competitiva na indústria automotiva que se aproxima.
A fala de Ornélas tem um viés técnico, mas aponta implicações diretas para a economia regional, especialmente diante do investimento da BYD na região. O debate sobre infraestrutura de transporte não é apenas um tema de engenharia: ele define o ritmo de atração de investimentos e a competitividade de toda a cadeia produtiva. E você, quais caminhos enxerga para ampliar a logística da Bahia? Compartilhe sua opinião nos comentários e leve este tema para mais pessoas interessadas em economia, transporte e desenvolvimento regional.

