Resumo curto: a Neoenergia, controladora da Coelba, apresentou o relatório de atividades de 2025 com lucro líquido de 5 bilhões de reais. Na Bahia, o desempenho apresentou alta de 8% em relação a 2024, chegando a 1,95 bilhão. Ainda assim, não há previsão de pagamento pela renovação da concessão com a Coelba, que o Ministério de Minas e Energia aprovou em mais 30 anos. O cenário, marcado por críticas locais, se mantém em meio a interrupções de fornecimento, reclamações de consumidores e um histórico de ações judiciais.
A renovação da concessão para mais três décadas foi oficializada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no dia 6 de abril, em meio a críticas ao serviço prestado na Bahia. A decisão amplia o prazo de validade do contrato com a Coelba, sem prever, porém, qualquer pagamento pela extensão, o que tem gerado debate entre autoridades estaduais sobre a qualidade do atendimento.
Entre os críticos, deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) apresentaram um relatório que sugeria não renovar o contrato e abrir um novo processo licitatório. O documento apontou questões estruturais na atuação da concessionária no estado, ressaltando interrupções no fornecimento, alta incidência de reclamações e um volume significativo de ações judiciais.
No conjunto, os números de insatisfações chamam atenção: no ano de 2023 a Coelba liderou as Queixas Fundamentadas no Procon, com 689 ocorrências. Em 2024, ocupou o segundo lugar, somando 1.753 queixas. As principais críticas continuam ligadas à queda na qualidade do serviço de energia, com frequentes interrupções que afetam a vida cotidiana e a atividade econômica local.
Casos emblemáticos ajudam a entender o cenário. Em Belmonte, a Justiça da Bahia determinou medidas imediatas para melhorar o fornecimento, frente a interrupções e quedas de energia em horários variados. Em Xique-Xique, o serviço ficou suspenso por cerca de 16 horas, entre 2h e 19h do dia 1º de março, devido a uma falha no circuito do transformador da subestação, segundo a Coelba.
A história da Coelba, privatizada em julho de 1997, explica parte do contexto atual. Naquela operação, 65,4% do capital foi vendido ao consórcio Guaraniana S/A, formado pela espanhola Iberdrola — controladora da Neoenergia — e pelo Banco do Brasil. O contrato então firmado previa uma concessão de 30 anos, sem estipular o valor, mantendo metas de regularidade, continuidade, eficiência, segurança e cortesia na prestação dos serviços.
Em 2015, a Iberdrola vendeu sua participação na Coelba para a Neonergia, dando lugar a um controle acionário de 96,3% em mãos da nova empresa, com o Banco do Brasil possuindo 2,3% e os 1,4% restantes distribuídos entre outros acionistas. A Constituição Federal, porém, classifica serviços essenciais e determina que a operação de tais serviços ocorra por meio de concessão pública com prazo definido, o que sustenta a renovação prevista no acordo atual.
Ao longo de sua história, a Coelba passou pela privatização e por mudanças de controle que mantêm o debate sobre a gestão de um serviço essencial. O contrato original, preservado de forma a permitir renovação, permanece no centro das discussões sobre o equilíbrio entre garantia de investimentos, qualidade de atendimento e responsabilidade com a tarifa. Enquanto as partes buscam resultados em procedimentos legais e administrativos, a população de diversas regiões da Bahia aguarda serviços estáveis e mais eficientes.
Para leitores que acompanham o tema, a questão não é apenas sobre números financeiros, mas sobre a regularidade do serviço que sustenta a vida diária, a indústria local e o comércio. Com a renovação autorizada, caberá aos gestores públicos, à concessionária e aos órgãos de defesa do consumidor monitorar de perto o cumprimento de metas e prazos, buscando sinais de melhoria contínua. O tema, portanto, continua em pauta, com atores locais cobrando resultados práticos.
E você, leitor, como avalia a atuação da Coelba na Bahia? Quais experiências de abastecimento você tem vivenciado? Deixe seu comentário com relatos e opiniões sobre o serviço de energia na sua cidade, região ou localidade.



