Resumo: o Ministério Público da Bahia denunciou sete policiais militares pelo homicídio qualificado de Geovane Mascarenhas de Santana, ocorrido em 2014. Eles serão submetidos a júri popular na próxima segunda-feira, 27, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A denúncia descreve tortura, decapitação e a remoção de partes do corpo, além da queima do cadáver, em circunstâncias que ampliam a gravidade do crime.
Segundo o Ministério Público, Geovane foi morto após uma abordagem policial no bairro Calçada. Ele foi conduzido, com a sua moto, até a Rua Luiz Maria, próximo ao Atacadão Recôncavo, onde uma mulher afirmou ter sido vítima de roubo. Contudo, ela não reconheceu Geovane como autor do crime, o que agrava a tragédia descrita pela denúncia.
Logo depois, uma segunda viatura chegou ao local e, conforme o MP-BA, os policiais teriam decapitado o jovem e mutilado o corpo, incluindo a retirada de mãos, genitália e partes das tatuagens, em uma tentativa de dificultar a identificação da vítima. A denúncia aponta que ninguém na cena ofereceu qualquer defesa ou justificativa legal.
Após os fatos, o corpo de Geovane foi levado para a Travessa São Rafael, na Rua das Casinhas, perto do Parque São Bartolomeu, onde os acusados teriam ateado fogo ao cadáver em uma residência sem moradores. O conjunto de ações é descrito pelo MP como uma sequência de violência deliberada que visava encerrar o caso sem deixar rastros claros.
Na denúncia, o MP-BA afirma que os policiais agiram com motivação torpe e usaram recursos para inviabilizar a defesa da vítima, além de praticarem roubo qualificado nas circunstâncias em que tudo ocorreu. Com exceção de Jailson Gomes Oliveira, todos os denunciados também enfrentam a acusação de ocultação de cadáver. A expressão do MP é dura: “sequestraram e mataram quem por eles foi eleito para morrer.”
Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira respondem pelos crimes de homicídio qualificado e, em parte, por roubo e ocultação de cadáver, conforme a denúncia apresentada pelo MP-BA. O Ministério Público descreve os agentes como responsáveis por uma sequência de atos que tirou a vida de Geovane de forma brutal e violenta.
Este caso retorna à tona em um momento em que a cidade de Salvador observa longos desdobramentos de violência policial e a necessidade de responsabilização de agentes. A expectativa é de que o júri popular traga respostas sobre as circunstâncias que envolveram o homicídio e as condutas dos sete PMs denunciados, bem como o eventual alcance de justiça para a família de Geovane.
Gostou da reportagem? Deixe sua opinião nos comentários. Sua participação ajuda a manter o debate aberto sobre o tema e a importância da responsabilização frente a casos de violência policial na nossa cidade.

