Morre José Frejat aos 102 anos, ex-deputado e pai do cantor Frejat


Morreu aos 102 anos o ex-deputado federal José Frejat, pai do cantor Roberto Frejat. Figura central no movimento estudantil e na redemocratização do Brasil, Frejat teve uma longa passagem pela vida pública do Rio de Janeiro, unindo atuação acadêmica, militância cívica e serviço público. Seu legado é lembrado como parte importante da história política do estado e do país.

Nascido em 1924, em Cururupu, Maranhão, Frejat mudou-se para o Rio de Janeiro aos 23 anos para estudar Direito na UFRJ. Na universidade, sobressaiu como líder estudantil: em 1949 foi eleito presidente do Centro Acadêmico Candido de Oliveira e, no ano seguinte, assumiu a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) após a renúncia de Rogério Ferreira. Também ocupou a presidência do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ, consolidando seu papel na organização estudantil da época e abrindo caminho para uma atuação pública voltada à democracia.

Formado em Direito, Frejat integrou o Movimento Nacionalista Brasileiro, tornando-se um dos fundadores e secretários-gerais do movimento que fazia oposição à ditadura militar. Nesse período, sua atuação ganhou contornos que o levaram à vida pública pelo MDB, onde ocupou cargos de relevância: procurador da Fazenda Nacional, vereador do Rio de Janeiro em 1975 e deputado federal pelo estado em 1978. No seu segundo mandato como deputado, transferiu-se para o Partido Democrático Brasileiro (MDB). Em etapas mais recentes, o ex-deputado filiou-se ao PSB, sinalizando continuidade no interesse por pautas democráticas.

Frejat foi reconhecido pela defesa de uma transição democrática responsável, contribuindo para o amadurecimento institucional durante o período de mudança política. Sua atuação ajudou a consolidar a participação estudantil como força formadora de políticas públicas, além de influenciar o desenho de uma relação entre movimentos civis e as instituições do Rio de Janeiro e do país. O papel exercido na UNE, no MDB e em outras frentes políticas é visto por muitos como parte essencial da construção de um Brasil que atravessou décadas sob regimes de exceção.

Ao longo da vida pública, Frejat manteve vínculos com diferentes tendências, refletindo uma trajetória de constante busca por participação cidadã e direitos civis. Em 2018, por exemplo, ele tentou voltar ao Congresso pelo Rio de Janeiro, mas teve a candidatura indeferida. Mesmo diante de mudanças partidárias, o seu percurso permanece associado à defesa de instituições democráticas e à promoção de um espaço político menos fragmentado e mais dinâmico, além de manter o vínculo com a memória de uma geração que enfrentou a ditadura e contribuiu para a redemocratização.

A confirmação da morte foi anunciada pela equipe de Roberto Frejat, o músico que tornou o pai uma referência para fãs de música e política. Frejat deixa um legado de militância cívica, de dedicação institucional e de contribuição para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Sua trajetória recorda a importância de indivíduos que conciliaram atuação acadêmica, atuação pública e compromisso com a democracia, servindo como inspiração para as futuras gerações.

Na memória da cidade, a passagem de Frejat é lembrada como parte de uma geração que viu estudantes e políticos trabalharem juntos para ampliar direitos e participação da população. Seu caminho evidencia a ligação entre militância, educação e serviço público, revelando lições de organização, persistência e compromisso com o Estado de direito que permanecem atuais para quem acompanha a cena política e social de hoje.

Se você acompanhou a trajetória de Frejat ou tem lembranças sobre o período de transição democrática, compartilhe nos comentários como acredita que a herança dele influencia a política atual e a vida na cidade. Sua opinião pode enriquecer o debate sobre democracia, participação popular e memória histórica.

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