Azerbaijão destrói igrejas cristãs históricas em Nagorno-Karabakh

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Resumo curto: Imagens de satélite revelam a demolição de duas igrejas cristãs em Stepanakert, principal cidade da região de Nagorno-Karabakh, sob controle do Azerbaijão desde 2023. A população armênia local vê o ato como uma campanha para apagar o patrimônio religioso, enquanto Baku afirma que as estruturas foram erguidas ilegalmente durante a ocupação e devem ser removidas. O episódio acende tensões regionais, com milhares de armênios desalojados e críticas internacionais sobre a proteção de locais sagrados.

As imagens mostram a demolição da Catedral da Mãe de Deus, o principal templo cristão de Stepanakert — também chamada de Khankendi pelos azerbaijanos — cuja construção começou em 2006 e foi consagrada em 2019. Durante as ofensivas azeris no início dos anos 2020, o pórtico da catedral chegou a ser usado como abrigo antiaéreo pelos moradores. As imagens, divulgadas no final de semana, sugerem que a demolição ocorreu nos dias seguintes, com a cobertura da imprensa local citando registros de observação de satélite.

Além da catedral, a Igreja de São Jacó, outra importante igreja cristã na cidade, também foi destruída. Concluída em 2007, a igreja recebeu financiamento de um filantropo armênio-americano em memória do seu filho. Cruzes de pedra no terreno ao redor da igreja demolida também teriam sido derrubadas, segundo a Igreja da Armênia. Essas ações são apresentadas pelas autoridades religiosas como parte de uma campanha para apagar símbolos cristãos da cidade.

O Conselho Muçulmano do Cáucaso, órgão ligado ao governo do Azerbaijão, afirmou que as demolições foram planejadas pelo Estado e que as construções teriam sido erguidas ilegalmente durante o período de ocupação. O grupo sustenta que a demolição não pode ser interpretada como destruição de patrimônio religioso, e acrescenta que os azerbaijanos que retornaram à cidade teriam pressionado pela remoção de estruturas que não existiam antes da ocupação descrita.

Lernik Hovhannisyan, presidente do Conselho Diocesano de Artsakh, contestou a versão oficial, lembrando que Stepanakert sempre foi dominada pela população armênia e que os azerbaijanos foram deslocados para o distrito de Krkzhan na década de 1960 para alterar a demografia. Ele questionou também por que não foram citadas as igrejas da Hora Verde e de Mokhrenes, destruídas em Shushi, destacando que tais ações destoam da imagem de um país supostamente tolerante, onde igreja, mesquita e sinagoga convivem lado a lado. Ele também lembrou que a região abriga milhares de monumentos históricos e culturais sob risco de diluição.

A OSCE – Grupo de Minsk, órgão de mediação copresidido pela França, Rússia e Estados Unidos, reconheceu o direito da população armênia de Nagorno-Karabakh à autodeterminação, segundo documentos do grupo. No entanto, o Minsk ficou praticamente inativo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, rompendo relações entre os copresidentes e suspendendo atividades substanciais após a ofensiva azerbaijaneira em setembro de 2023. A demolição, por sua vez, acendeu críticas antes das eleições parlamentares na Armênia, com opositores acusando o primeiro-ministro Nikol Pashinyan de não pressionar por condenação internacional, ainda que ele tenha afirmado buscar informações completas e evitar excesso de escalada.

Cerca de 120 mil armênios foram forçados a deixar Nagorno-Karabakh após a série de ofensivas que consolidaram o controle do Azerbaijão sobre o território em setembro de 2023. Os muitos que ficaram ou foram capturados permanecem sob tensão e prisão no Azerbaijão. Em resposta aos relatos, Nadine Maenza, ex-presidente da USCIRF, descreveu a demolição de igrejas como um “genocídio cultural” em meio à limpeza étnica mencionada pelos relatos. Essas leituras ajudam a entender como o patrimônio religioso caminha lado a lado com a crise humanitária na região.

O caso está no centro de debates entre historiadores, líderes religiosos e observadores internacionais, que avaliam as implicações para a proteção de patrimônios culturais em zonas de conflito. A demolição das igrejas levanta perguntas sobre autodeterminação, soberania e responsabilidade internacional, em um cenário ainda marcado pela dificuldade de mediação entre as partes envolvidas e pela busca por soluções duradouras para a cidade de Stepanakert e seus moradores.

Convido você, leitor, a compartilhar suas opiniões sobre o tema. Quais impactos você acredita que a demolição de locais sagrados pode ter na coesão regional e na memória coletiva dos moradores de Stepanakert? Deixe seu comentário abaixo para continuar a conversa.

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