Produção artesanal de chocolate em assentamento no Sul da Bahia impulsiona formação técnica

Escrito por: Diógenes Cunha

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Feito no assentamento Terra Vista, em Arataca, no Sul da Bahia, o Chocolate Rebelde consolidou uma iniciativa de agroindustrialização ligada à formação técnica de jovens da região rural. Surgiu em 2011 como Chocolate Artesanal Terra Vista e ganhou impulso em 2018 com a inauguração de uma fábrica-escola. O reposicionamento da marca levou à adoção do nome Chocolate Rebelde e a uma identidade visual renovada, ampliando a distribuição para oito estados.

A iniciativa é apresentada pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia, como exemplo de políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à Reforma Agrária. O enquadramento institucional mostra como ações públicas ajudam a transformar o trabalho local em produção com maior valor agregado.

A fábrica-escola passa a abrigar a formação de estudantes do curso técnico em Agroindústria do Centro Estadual de Educação Profissional da Floresta do Cacau e do Chocolate Milton Santos, sediado no próprio assentamento. O espaço garante aprendizado prático aliado ao desenvolvimento de produtos com foco na sustentabilidade.

No ano passado, a produção atingiu 500 quilos, e a estrutura ganhou fôlego: a equipe foi ampliada de quatro para 12 trabalhadores internos, mais quatro externos, além de estudantes em estágio. A unidade também está passando por reforma e aquisição de novos equipamentos, em parceria com a CAR, para sustentar o crescimento.

Entre os lançamentos recentes, estão as trufas, o licor de chocolate, o chá em sachê feito a partir da película do cacau e o chocolate com café. Ao todo, já são 13 itens desenvolvidos pela marca, que busca diversificar o portfólio sem perder a essência artesanal e o cuidado com a origem.

Um destaque da linha é o chá de cacau, produzido a partir da película do fruto. Rico em antioxidantes, o chá pode contribuir para a regulação da pressão arterial e para o funcionamento do sistema digestivo. Segundo a equipe, pode ser consumido puro ou com ervas como hortelã, hibisco, cidreira e capim-limão, reforçando o conceito de aproveitamento integral do cacau.

A coordenação da fábrica enfatiza que o novo posicionamento busca representar produção orgânica, sustentável e a valorização da biodiversidade, com embalagens que destacam a fauna local e práticas agroflorestais. A ideia é manter o foco na qualidade e na responsabilidade ambiental, conectando a produção ao cuidado com o ecossistema da região.

A expansão de distribuição já contempla oito estados, ampliando o alcance de produtos que nasceram na localidade e migraram para mercados expressivos. O aumento da demanda também reforça a necessidade de investimentos, que incluem reforma da unidade e a aquisição de equipamentos, sempre com o apoio da CAR para fortalecer a cadeia produtiva.

Para a região, o caso funciona como referência de organização coletiva que gera empregos, fomenta a educação técnica e fortalece a cadeia de valor local, mantendo a produção no território de origem e estimulando a economia de moradores da localidade. A experiência mostra como políticas públicas podem botar o campo no mapa sem abrir mão da sustentabilidade.

E você, o que acha desse modelo de cooperação entre setor público, agricultores e estudantes? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre agroindustrialização, educação técnica e desenvolvimento regional.

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