O juiz Otaviano Sobrinho, da 1ª Vara Criminal de Eunápolis, precisou usar colete à prova de balas para continuar trabalhando no fórum após pedir proteção. A medida surgiu no contexto de um caso que envolveu o afastamento da diretoria do Conjunto Penal e o desdobramento de uma fuga de 16 detentos no Extremo Sul da Bahia, que ganhou holofotes nacionais. A situação também destacou a atuação de uma ex-diretora da unidade, ligada a denúncias que apontam para ligações com figuras políticas e desafios estruturais da segurança pública.
Em entrevista à TV Bahia, nesta quinta-feira, o magistrado falou sobre as ameaças que passaram a cercá-lo desde que assumiu o caso. Segundo ele, informações indicavam ações com potencial de escândalo e de demonstração de poder frente ao Estado, incluindo ameaças às autoridades envolvidas no projeto de expansão da unidade. Sobrinho destacou que a proteção médica e 24 horas de segurança foram adotadas com o apoio do Tribunal de Justiça da Bahia, algo inédito em seus 36 anos de carreira.
ENTENDA O CASO
A fuga ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, no Conjunto Penal de Eunápolis, e envolveu 16 detentos que estavam na cela 44. Segundo as investigações, eles usaram uma furadeira para abrir um orifício no teto e acessar outras áreas da unidade, completando a ação com coordenação dentro e fora da prisão. A partir de depoimentos e delações premiadas, a gestão da unidade veio a ser apontada como parte do cenário que permitiu o sucesso da evasão.
A ex-diretora Joneuma Silva Neres foi afastada pela Justiça no dia 17 de dezembro de 2024, exonerada em 7 de janeiro de 2025 e presa cerca de duas semanas depois. Em interrogatórios ao Ministério Público da Bahia, ela relatou ter conhecido o deputado federal Uldurico Junior por meio da deputada estadual Claudia Oliveira, durante o tempo em que atuava em Teixeira de Freitas. A partir dessas afirmações, a documentação aponta que Uldurico já integrava a estrutura da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP) e, segundo as investigações, buscava manter alguém de sua confiança na gestão da unidade para avançar seus interesses.
De acordo com o Ministério Público da Bahia, a nomeação de Joneuma para a direção do Conjunto Penal de Eunápolis, em 14 de março de 2024, pode ter representado uma forma de “promoção” para favorecer esse alinhamento. A apuração sustenta que Uldurico já atuava com influência significativa na SEAP na época, controlando indicações políticas que impactavam diretamente a gestão prisional local. A denúncia também aponta encontros de Uldurico com detentos em visitas a portas fechadas, prática considerada normal pelos colegas na época, o que acende suspeitas sobre a natureza dessa relação e seus objetivos ilícitos.
A designação de Joneuma como chefe do presídio masculino de Eunápolis ficou marcada pela quebra de barreiras históricas, pois ela se tornou a primeira mulher a liderar uma instituição prisional masculina no estado. A partir da constatação de irregularidades e de indícios de favorecimentos, as investigações passaram a enfatizar o papel de vínculos entre a gestão prisional, o mundo político e atividades criminosas. A estrutura de poder, segundo os relatos, parecia empoderar interesses que iam além da norma administrativa, criando um cenário de risco para a integridade do sistema de justiça.
A condução do caso, os depoimentos e as decisões judiciais subsequentes mostram uma linha de desdobramentos que envolve decisões administrativas, pressões externas e um episódio de evasão que expôs falhas de governança. A Justiça continua apurando os detalhes, buscando esclarecer como as relações mencionadas influenciaram a gestão da unidade e quais medidas são necessárias para prevenir novos incidentes de segurança e de integridade institucional.
Meta description: Fuga de 16 detentos no Conjunto Penal de Eunápolis desvela ligações entre gestão prisional e política. O caso envolve a ex-diretora Joneuma Neres, o ex-deputado Uldurico Júnior e o líder do PCE, com implicações para a segurança pública na Bahia. Leia os principais fatos, datas e desdobramentos.
Agora, caro leitor, como você avalia o equilíbrio entre gestão prisional, influências políticas e segurança pública? Deixe sua opinião nos comentários e ajude a enriquecer o debate sobre a efetividade das medidas de governança no sistema penitenciário local.
