O panorama dos aeroportos brasileiros mostra que operadores estrangeiros já dominam a grande maioria dos terminais das capitais, enquanto a Infraero encolhe. Em 25 dos 29 aeroportos com maior movimento anual de passageiros nas capitais, grupos de sete países atuam, sinalizando uma transformação significativa da infraestrutura do país.
Aena lidera o mercado, com sete aeroportos, incluindo Congonhas em São Paulo e o Galeão no Rio de Janeiro. A concessionária espanhola, controlada pelo governo da Espanha, ampliou sua presença nos últimos anos e venceu a relicitação do Galeão, disputada com rivais internacionais, fortalecendo a posição já consolidada em termos de fluxo de passageiros.
Outro player relevante é o Asur, grupo mexicano que passou a controlar seis terminais em capitais após adquirir parte dos ativos da Motiva no Brasil, com aeroportos em Palmas, São Luís, Teresina, Goiânia, Belo Horizonte e Curitiba. Já Vinci Airports, da França, administra cinco terminais, ocupando a sétima posição no ranking de movimentação de passageiros.
A participação da Infraero vem diminuindo paralelamente ao avanço das concessões. Em 2010, a estatal gerenciava 67 aeroportos; hoje controla 23, sendo apenas 10 com voos regulares. No início, a Infraero dividia as concessões com construtoras nacionais, que atuavam como parceiras; com a saída desses grupos e os impactos da operação Lava Jato, a presença nacional nos consórcios se reduziu.
O movimento ganhou novo impulso com a relicitação do Galeão, em que a Infraero detinha participação relevante. A tendência apontada por especialistas é de encolhimento progressivo da estatal, que permanece atuando em ativos como GRU Airport (Guarulhos) e o Aeroporto de Brasília, embora o processo de relicitação de Brasília antecipe a saída da Infraero. O Santos Dumont tende a permanecer como o ativo mais expressivo da empresa, no portfólio que resta.
No campo das perspectivas, o Tribunal de Contas da União aprovou, no início de abril, a solução consensual para a concessão do Aeroporto de Brasília e determinou a inclusão de 10 aeródromos regionais do programa AmpliAR no novo contrato. A expectativa é de que o leilão ocorra ainda neste ano, ampliando a escala das concessões existentes e favorecendo grupos já instalados, segundo especialistas. Ainda há espaço para novos entrantes, mas o mercado tende a concentrar ativos entre os grandes operadores.
Para moradores e viajantes, a evolução pode significar mais padrões internacionais, serviços padronizados e maior capilaridade das operações. E você, o que espera dessa onda de concessões para as viagens e as cidades que recebem os aeroportos? Compartilhe suas opiniões nos comentários.
