A Justiça de São Paulo condenou o Tivoli Mofarrej, hotel de luxo na zona oeste, a pagar indenização por danos morais de R$ 20 mil a um advogado negro após uma abordagem de segurança durante um evento no local, em setembro de 2024. A decisão, divulgada na última sexta-feira (8/5), entende que a atuação foi além de um simples procedimento de verificação e causou constrangimento ao profissional, que registrou o momento em vídeo.

O advogado José Luiz de Oliveira Junior participava de um evento organizado pela coordenação do então Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, quando foi abordado por um segurança no interior do auditório sob a alegação de ausência de credencial visível. Segundo ele, o funcionário pediu para verificar credenciais de forma ostensiva durante boa parte da presença dele no espaço.
A juíza Ana Raquel Victorino de França Soares declarou que os elementos dos autos indicam que a abordagem ultrapassou os limites de uma verificação regular, revelando-se desproporcional e constrangedora ao autor. Ela também observou a ausência de comprovação documental de que a fiscalização tenha sido realizada de maneira indistinta e uniforme com todos os participantes, ao passo que o advogado afirmou que outras pessoas presentes não foram abordadas de modo visível.
Durante o episódio, José Luiz filmou a interação. O segurança pediu desculpas e disse que estava apenas fazendo o seu trabalho; a conversa acabou gerando discussão entre as partes. Em nota, o Metrópoles informou que, mesmo após a decisão, o Tivoli não se posicionou oficialmente sobre o caso, e o espaço permaneceu aberto.
Este caso levanta a discussão sobre discriminação institucional em espaços de alta credibilidade, lembrando que obras de proteção a espaços não podem virar ferramenta de preconceito. A decisão judicial reforça a necessidade de procedimentos justos e proporcionais, especialmente em estabelecimentos que recebem moradores e visitantes de diferentes origens. O tema volta aos debates públicos com a expectativa de mudanças práticas em procedimentos de segurança de hotéis e eventos na cidade.
E você, já presenciou ou viveu situações em que credenciais ou abordagens de segurança pareceram injustas ou discriminatórias em eventos na cidade? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar o diálogo sobre respeito e responsabilidade em espaços públicos.
