Vereador acusa padre Julio de usar dinheiro paroquial em ação judicial

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Um vereador de São José dos Campos, Thomaz Henrique (PL), enviou à Arquidiocese de São Paulo uma denúncia canônica contra o padre Julio Lancellotti. A acusação envolve heresia, militância político partidária e suposto desvio de recursos da Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, para custear uma ação judicial contra a vereadora Janaina Ballaris, movida em 2024. A medida coloca em debate a atuação do sacerdote e abre espaço para avaliação institucional pela Igreja.

Conforme o documento, em fevereiro de 2025 o padre teria pago uma guia do Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DARE) no valor de R$ 450 usando a conta corrente da paróquia. Em outubro do mesmo ano, a ação foi rejeitada; segundo a denúncia, ele pagou ainda uma taxa de R$ 1.200 para ingressar com uma apelação, também com recursos da paróquia. A defesa sustenta que tais atos configuram apropriação indébita e ilícito canônico, por supor que recursos destinados à caridade teriam sido usados para interesses privados.

A representação aponta que os atos teriam relação com o destino de dinheiro paroquial para fins pessoais do sacerdote, anexando comprovantes de transferências. O vereador também acusa Lancellotti de heresia e de militância político-partidária, afirmando que o padre atua junto a correntes de esquerda e participou de manifestações a favor da Palestina e de protestos contra a anistia de atos democráticos de 8 de janeiro.

Quanto à suposta heresia, o texto cita declarações do sacerdote durante uma aula aberta na Pontifícia Universidade Católica (PUC) em 2025, nas quais teriam dito que “ Jesus também não era católico” e que “ o Catolicismo foi inventado depois, por Constantino”. A denúncia sustenta que tais afirmações colocam em xeque a verdade da Igreja Católica reconhecida pela fé cristã.

A Arquidiocese Metropolitana de São Paulo informou ter recebido a denúncia canônica contra o pároco e que o conteúdo será analisado pelas instâncias competentes. A reportagem entrou em contato com o padre Lancellotti e com o advogado que o defendeu no caso anterior de difamação, e aguarda posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestações das partes envolvidas.

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