O principal negociador do Irã e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, lançou nesta terça-feira um ultimato aos Estados Unidos: aceitem os 14 pontos propostos por Teerã ou enfrentem o que chamou de fracasso definitivo. A mensagem vem após o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar a contraproposta iraniana como “totalmente inaceitável” e dizer que o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril “já não resiste.”
Ghalibaf afirmou, em rede social, que “não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano” conforme a proposta de 14 pontos. Segundo ele, qualquer outra via seria apenas fracasso, e quanto mais tempo durar a demora, maior o custo para os contribuintes americanos. O Irã mantém firme a posição de que não recuará nas demandas apresentadas como condição para encerrar o conflito.
As negociações de paz continuam travadas desde uma rodada inicial, em abril, que não chegou a um acordo. O Irã diz estar pronto para responder a qualquer novo ataque dos EUA. O país já impactou mercados globais ao interromper o tráfego pelo Estreito de Hormuz e manter seu próprio bloqueio de portos, enquanto Washington impõe restrições navais a território iraniano.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã exigiu, em resposta à proposta dos EUA, o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a interrupção do bloqueio naval aos portos iranianos e a libertação de ativos iranianos congelados. Contudo, não foram divulgados detalhes sobre o que Teerã ofereceria em troca, nem o conteúdo completo da nova proposta americana, apenas referências a uma estrutura para negociações sobre o programa nuclear.
Nesta terça, o porta-voz da comissão de segurança nacional do parlamento, Ebrahim Rezaei, afirmou que, caso o conflito seja retomado, os legisladores avaliam a possibilidade de enriquecer urânio a níveis prontos para uso em armas, chegando a 90%. A posição contrasta com o estoque atual do Irã, fortemente enriquecido a 60%, que exige cerca de 90% para produção de armas. O Irã mantém o direito ao uso pacífico da energia nuclear, mas deixa clara a ideia de que o nível de enriquecimento é negociável dependendo do curso das negociações.
O Irã continua defendendo a manutenção de seu programa nuclear como questão de soberania, enquanto as potências buscam pressões para reduzir o material de enriquecimento fora do território iraniano. A escalada reforça a tensão política e econômica global, com capítulos ainda em aberto para o desfecho das negociações. Comente abaixo: como você vê o desfecho dessa disputa e o papel de cada lado para evitar um novo confronto?
