Novo impasse no Congresso envolve a possível CPI do Banco Master. Revelações sobre negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mobilizam a Câmara e o Senado, com parlamentares de base governista e da oposição unidos pela defesa da criação da comissão de inquérito. A discussão já aparece como uma batalha de narrativas políticas em torno do assunto.
Segundo o jornal O Globo, o aporte financeiro para a produção do filme Dark Horse seria de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões). Flávio Bolsonaro afirmou que o objetivo era apenas patrocínio privado para um projeto privado, enquanto acusou o governo de manter relações espúrias com Vorcaro, o que alimenta o debate sobre a necessidade da CPI.
No entorno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a leitura é de que a CPI deve permanecer travada. O argumento é que a ofensiva envolve uma disputa de narrativas entre os aliados do governo e a oposição, dificultando um acordo para a instalação do colegiado.
Após reunião com seus núcleos jurídico e político, Flávio Bolsonaro disse ter buscado apenas patrocínio privado para um filme privado, e reiterou as acusações de relações espúrias entre o governo e Vorcaro, reforçando o apelo pela abertura da CPI.
Aliados de Alcolumbre apontam três entraves:
- Instabilidade política, com receio de que a investigação gere desgaste entre lideranças do Centrão e afete as eleições municipais;
- Falta de pressão direta: segundo relatos, nenhum senador formalizou, nas últimas 24 horas, o pedido de instalação;
- Acordos prévios: a oposição estaria combinando, de forma reservada, não priorizar a CPI em troca de avanços em outras pautas, como vetos em medidas relacionadas ao 8 de janeiro.
Sem previsão de nova sessão conjunta no curto prazo, a instalação da CPI do Banco Master continua dependente de acordos políticos na presidência da Casa, que, por ora, descarta destravar o processo. Enquanto isso, o tema permanece na agenda da região política do país, sem data definida para avançar no Congresso.
