Infiltração na PF, coação e hackers: o que revela nova fase da Compliance Zero

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A sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, mobilizou sete prisões preventivas e 17 buscas e apreensões nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A ação, coordenada pela Polícia Federal com aval do STF, aprofunda investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e uma organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro e Henrique Vorcaro.

A PF identificou dois núcleos operacionais. O grupo A Turma ficava responsável por atuação presencial, intimidações, coerção e acesso a dados sigilosos, enquanto o núcleo Os Meninos atuava no ciberespaço, com ataques virtuais, invasões e monitoramento ilegal. Henrique Vorcaro, preso na quinta fase, integrava a liderança do núcleo presencial ao lado do filho, fortalecendo o funcionamento da organização. Já Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, aparece como figura central na estrutura financeira do esquema.

No componente tecnológico, o núcleo Os Meninos era dirigido por David Henrique Alves, apontado como líder de ataques cibernéticos e monitoramento digital. O grupo contava com remuneração de cerca de R$ 35 mil mensais a um supervisor de operações e com apoio de outros operadores, que incluíam Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, responsáveis por tarefas como desenvolvimento técnico, aquisição de domínios e logística de ocultação de evidências durante fugas.

O braço presencial, A Turma, teve como executor principal em território nacional o Rio de Janeiro o homem conhecido como Manoel Mendes Rodrigues, identificado como o responsável por ações presenciais de intimidação. Também aparecem no grupo Anderson Wander da Silva Lima, policial federal ativo que, segundo a investigação, realizava consultas indevidas e repassava informações sigilosas, mediante contrapartidas, e Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado que mantinha articulações com os líderes por meio de comunicações segmentadas.

A PF também revela a participação de agentes da própria instituição na tentativa de burlar rastros. A decisão do ministro André Mendonça, do STF, aponta infiltração institucional para acessar dados sigilosos e orientar ações do grupo, com nomes como Valéria Vieira Pereira da Silva e Francisco José Pereira da Silva atuando para atravessar procedimentos formais. Já Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, atuava como líder operacional do núcleo A Turma, mantendo contatos com o comando central mesmo após prisões.

Historicamente, a operação já acumulava fases anteriores com dezenas de mandados. Nas quatro primeiras etapas foram cumpridos 96 mandados de busca e apreensão em seis estados, com medidas de sequestro ou bloqueio de bens que chegaram a R$ 27,7 bilhões e afastamento de suspeitos de cargos públicos. O quadro atual reforça a complexidade da rede criminosa ligada ao Banco Master e às práticas de fraude, intimidação e invasão de sistemas.

As investigações, conduzidas pela PF com base em quebras de sigilo e coleta de provas, seguem em andamento. A justiça e a PF ressaltam que novos desdobramentos devem surgir conforme as diligências avancem, trazendo à tona o alcance das operações de combate à corrupção, crime financeiro e delitos cibernéticos na localidade.

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