A Polícia Federal prendeu Victor Lima Sedlmaier no aeroporto de Dubai, na viagem de retorno ao Brasil, com ele chegando a São Paulo no fim da tarde. A ação integra a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, com cooperação da Interpol e da polícia de Dubai.
A PF aponta Sedlmaier como integrante do núcleo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O jovem era foragido desde 14/5 e teve prisão preventiva autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Em depoimento, Sedlmaier se apresentou como estudante de ciência da computação e desenvolvedor de sistemas, dizendo ter trabalhado para David Henrique Alves desde julho de 2024, com o contato intermediado por um primo.
Segundo ele, as atividades envolviam conserto de computadores e desenvolvimento de software de inteligência artificial, com recebimento de R$ 2 mil mensais, além de bônus por serviços eventuais. Sedlmaier afirmou ainda saber que David trabalhava para Luiz Phillipi Mouratão, apontado pela PF como o “Sicário” de Vorcaro, recebendo cerca de R$ 35 mil por mês, e que cuidava da reputação online de Vorcaro.
A PF sustenta que, no dia da operação que prendeu o “Sicário”, David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo de Mouratão, com computadores e o documento de uma terceira pessoa. A corporação afirma que David não soube explicar a razão de estar naquele carro.
No dia seguinte, Sedlmaier teria ido à residência de David com um caminhão de mudança para remover itens do imóvel. Um documento encontrado com David no dia anterior continha a foto de Sedlmaier, o que levou Mendonça a afirmar que a posse desses objetos, associada à entrada no imóvel, indica que Victor conhecia a rotina do líder e poderia manusear, remover ou ocultar evidências.
O ministro apontou ainda que, no mesmo ato, Victor citou “Rodrigo” — identificado pela PF como Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos — reforçando uma atuação conjunta em favor de David e do núcleo “Os Meninos”. A PF também aponta que Victor é sócio de duas drogarias usadas para o recebimento indireto de pagamentos.
Na 6ª fase, a PF prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Com a prisão de Sedlmaier, restam foragidos o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e David Henrique Alves, chefe do grupo. A PF afirma que o grupo recrutava hackers para invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.
Quem fazia parte do núcleo:
- David Henrique Alves: liderança, execução e sustentação tecnológica.
- Victor Lima Sedlmaier: prestador de serviços ao grupo.
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: acompanhado David em deslocamentos até a residência.
- Katherine Venâncio Telles: presente no veículo com equipamentos eletrônicos.
Todos os integrantes, à época, eram gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que recebia comandos do núcleo central da organização criminosa.
