Sete minutos por quilômetro: esse é o tempo médio que um ônibus leva para percorrer 1 km no Distrito Federal, segundo estudo da urbanista Carlla Brito Furlan Pourre, da UnB. A pesquisa analisa o transporte público pela ótica do usuário, apontando lentidão, picos de demanda concentrados e desigualdades entre regiões. A Semob-DF reconhece o desafio e afirma que melhorar a velocidade operacional é prioridade da gestão, com ações em curso para ampliar a fluidez da cidade.
O estudo adapta cinco indicadores de um sistema nacional para medir o transporte público a partir da experiência do usuário. O peso da tarifa na renda já é alto: em média, 14% da renda. Em áreas mais pobres, esse percentual chega a 37% no SCIA e a 25% no Paranoá, Recanto das Emas, Fercal e Varjão. Além disso, há foco na recorrência de viagens, nos danos ao objeto, no tempo de percurso e na disponibilidade espacial da infraestrutura, revelando como renda, localização e planejamento urbano moldam a mobilidade.
Sobre o tempo de deslocamento, o estudo aponta que regiões de saída do DF apresentam, em média, sete minutos para cada quilômetro percorrido. Isso indica tempos elevados devido à extensão das distâncias, à ausência de corredores exclusivos e aos engarrafamentos nos horários de pico. A disponibilidade de infraestrutura também é desigual: Lago Sul, Lago Norte e Park Way aparecem mal servidas, mesmo com moradores com renda relativamente alta.
A análise mostra que quem mora perto do centro costuma ter maior renda per capita, localização estratégica e tempos de viagem menores. No Plano Piloto, por exemplo, a média é de 4 min/km, 43% abaixo da média geral. Já quem vive longe enfrenta tarifas altas, distâncias maiores e pouca oferta de corredores exclusivos, o que soma tempo perdido e atraso repetido, chegando a impactar a qualidade de vida.
Especialistas destacam que a velocidade do transporte depende de infraestrutura dedicada. Onde há corredor exclusivo, como BRT e faixas da EPTG, é possível observar maior velocidade, porém o conjunto das faixas existentes é insuficiente para o tamanho do sistema. A ampliação da frota sem priorizar o transporte público tende a manter os ônibus presos em engarrafamentos.
Para reduzir esse desequilíbrio, a Semob-DF aposta em linhas expressas que passam menos tempo parando e conectam rapidamente regiões-chave. Foram criadas as linhas 2401 e 2101, ligando a Rodoviária do Plano Piloto a Paranoá e a São Sebastião, com veículos de padrão BRT. O Corredor Eixo Oeste, com cerca de 38,7 km, também está em operação para ligar Sol Nascente, Ceilândia e Taguatinga ao centro, prometendo pelo menos 25 minutos a menos no trajeto entre origens e destinos importantes.






