O que se sabe sobre manobra do banco de Edir Macedo para esconder perdas milionárias

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Resumo: o Digimais, banco pouco conhecido controlado pelo bispo Edir Macedo, é alvo de revelações do Estadão sobre manobras contábeis para ocultar perdas. Documentos indicam que créditos em atraso foram movimentados por meio de fundos de investimento, gerando lucro de 31 milhões de reais em 2025 e levantando dúvidas sobre a saúde financeira real da instituição.

Segundo a apuração, o banco transferiu carteiras de crédito podres para fundos de investimento exclusivos, principalmente financiamentos de veículos. A prática, conhecida no mercado como Zé com Zé, envolve o Digimais atuando como investidor em alguns desses fundos, o que permite retirar dívidas problemáticas do balanço sem alterar o risco para quem lê as demonstrações.

Entre os números, o Digimais teve lucro líquido de 31 milhões de reais em 2025, mas ao menos 480 milhões de créditos vencidos não apareceram nas demonstrações oficiais. O fundo FIDC Tabor, no qual o banco participa, somava 960 milhões de reais em carteiras de crédito em abril de 2026, com 575 milhões inadimplentes — quase 60% do total — deixando uma parte expressiva das perdas fora do alcance da leitura tradicional.

A apuração também aponta estruturas financeiras relevantes. A Digimais comprou 741 milhões de reais em cotas do fundo Hermon, ligado a uma disputa judicial bilionária envolvendo indenizações da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia. O Hermon estima ter 2,2 bilhões a receber, mas o processo tramita há décadas e envolve controvérsias sobre os cálculos de pagamento.

No plano operacional, o principal negócio continua sendo o financiamento de veículos. Em 2021 esse setor respondia por 94% da carteira de crédito, conforme relatos de lojistas. A instituição é apontada por aprovar financiamentos para carros antigos e clientes já endividados, prática considerada arriscada, enquanto as taxas de juros aparecem entre as mais altas do país, chegando a 2,97% ao mês (cerca de 41,07% ao ano) em dezembro de 2025.

Enquanto enfrenta esse escrutínio, o Digimais negocia uma possível venda ao BTG Pactual. A instituição informou que assinou documentos vinculantes para uma aquisição, mas a operação depende de leilão, condições financeiras e eventual participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Especialistas ressaltam que as operações estudadas podem distorcer a imagem financeira oficial da instituição, dificultando a avaliação de risco por auditores e investidores. As revelações reforçam a necessidade de transparência na gestão de crédito e na apresentação de resultados ao público.

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