A Polícia Federal rejeitou nesta quarta-feira a delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no âmbito da operação Compliance Zero. A decisão, comunicada aos advogados, aponta omissões relevantes na colaboração e tentativas de preservar figuras influentes de Brasília envolvidas no suposto esquema. Em consequência, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, e o acesso da defesa ficou limitado.
Conforme reportagens da Veja e confirmação pelo Metrópoles, a PF entende que a delação trazida pela defesa falha ao apontar informações cruciais e apresenta estratégias para blindar aliados. Os anexos enviados foram considerados insuficientes para avançar as negociações.
Mudança de cela Nesta semana, Vorcaro deixou a sala especial ocupada anteriormente por ele para uma cela destinada a presos em trânsito pela superintendência, com logística e condições distintas das de unidades prisionais anteriores.
Aliados do banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura precária e oferece condições inferiores às unidades por onde ele já passou, incluindo a Penitenciária da Papuda e a Penitenciária Federal de Brasília.
Além da mudança, a PF restringiu o acesso da defesa ao investigado: agora os advogados podem visitá-lo apenas duas vezes ao dia, por 30 minutos cada encontro, sem instrumentos de trabalho. Antes, tinham acesso livre das 9h às 17h.
Relembre as fases da operação e o papel de Vorcaro A Polícia Federal investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal ligado ao Banco Master. O principal alvo é Daniel Vorcaro.
- 1ª fase — novembro de 2025: a PF prendeu Vorcaro e outros executivos. Foram apreendidos carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo.
- 2ª fase — janeiro de 2026: a investigação avançou sobre familiares e aliados do banqueiro. O STF autorizou buscas em cinco estados e bloqueou R$ 5,7 bilhões em ativos.
- 3ª fase — março de 2026: Vorcaro voltou a ser preso. A PF investiga suspeitas de ameaça, corrupção, invasão de dispositivos e atuação de uma suposta milícia privada ligada ao banqueiro.
- 4ª fase — abril de 2026: a operação mirou irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Investigadores apuram uso de imóveis para lavagem de dinheiro.
- 5ª fase — maio de 2026: a PF chegou ao núcleo político do caso e mirou o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber repasses ligados ao esquema.
- 6ª fase — maio de 2026: o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso. A operação também atingiu policiais suspeitos de participação.
Segundo a PF, Vorcaro seria o principal articulador do esquema investigado, envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e monitoramento ilegal de adversários e autoridades. As mudanças no andamento do caso ocorreram após autorização do ministro André Mendonça, relator do STF, para que Vorcaro passasse a cumprir as regras ordinárias da Superintendência da PF, no contexto de negociações de colaboração que seguem sob avaliação do tribunal.
A defesa ainda tentou apresentar uma nova versão da delação nos últimos dias, na tentativa de reativar as negociações e evitar o fracasso definitivo das tratativas.
