GDF abre edital para recompor vegetação nativa na Bacia do Rio Melchior, com foco na proteção hídrica da capital. O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF), lançou o chamamento público que viabiliza o Projeto de Recomposição da Vegetação Nativa na Bacia do Rio Melchior, com objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer a qualidade da água na cidade.
O projeto prevê plantio, manutenção e monitoramento de aproximadamente 100 hectares de áreas de preservação permanente (APPs), nascentes e pontos estratégicos de recarga ao longo de 48 meses. As organizações da sociedade civil (OSCs) terão 50 dias corridos após a publicação no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) para apresentar propostas. O edital tem validade de 12 meses.
A iniciativa receberá cerca de R$ 8 milhões provenientes do Fundo Único do Meio Ambiente do Distrito Federal (Funam-DF). Os recursos cobrirão preparação e limpeza das áreas, compra e plantio de 200 mil mudas nativas, além de ações de educação ambiental com a participação de moradores da região, incluindo estudantes da rede pública de ensino. O edital organiza o trabalho em quatro eixos: diagnóstico das áreas prioritárias, recomposição florestal, manutenção das áreas recuperadas e educação ambiental.
As ações também incluem controle de espécies exóticas invasoras, irrigação, adubação, replantio, manutenção e monitoramento técnico por pelo menos dois anos, além de atividades de comunicação social para engajar a população na conservação dos recursos hídricos.
Sobre o Melchior: situado entre Ceilândia e Samambaia, a região integra a Bacia do Rio Descoberto e funciona como um dos principais sistemas de abastecimento do DF. O rio corta áreas urbanas e rurais afetadas pela expansão, descarte irregular e degradação ambiental. A recuperação das APPs é vista como estratégica para proteger o manancial e melhorar a qualidade ambiental da bacia.
Em 15 de dezembro de 2025, a CPI do Rio Melchior concluiu os trabalhos, aprovando a reclassificação do rio para o nível 3, medida destinada a intensificar o controle e frear a poluição. O relatório detalha as causas da degradação hídrica, incluindo lançamento de efluentes de grandes empreendimentos, como ETEs e aterros, além de fontes de poluição difusa, e recomenda encaminhamentos ao Poder Executivo para despoluição, melhoria da gestão de recursos hídricos e atualização de marcos regulatórios.
