Resumo: a presença de pilotos brasileiros na IndyCar moldou décadas de corridas nos Estados Unidos. De Emerson Fittipaldi a Tony Kanaan, a tradição verde e amarela elevou o nível técnico, conquistou títulos ao redor do circuito e transformou o Brasil em referência do automobilismo na principal categoria de monopostos.
A história começa a ganhar ritmo na década de 1980, quando brasileiros credenciados pela Fórmula 1 migraram para a CART IRL. A IndyCar viveu uma fase de ouro, marcada pela disputa entre CART e IRL (o The Split), que impulsionou inovações técnicas, velocidades e uma aposta constante na consistência do piloto.
Emerson Fittipaldi foi o catalisador dessa trajetória. Campeão da CART em 1989, ele venceu as 500 Milhas de Indianapolis em 1989 e 1993, somando 22 vitórias na carreira. Foi o primeiro estrangeiro a vencer o campeonato da CART e a se lançar como referência nos EUA.
Gil de Ferran liderou a era de transição com dois títulos consecutivos na CART (2000 e 2001) pela Penske e conquistou a Indy 500 em 2003. Ao todo, soma 12 vitórias na CART/IndyCar, e detém a volta mais rápida da história em Fontana (2000), marcando 241,428 mph.
Tony Kanaan entrou para a história ao vencer a IRL/IndyCar em 2004 e a Indy 500 em 2013. Com 17 vitórias na carreira e o recorde de 318 corridas iniciadas, tornou-se um dos pilotos mais populares do grid e referência de regularidade.
Cristiano da Matta dominou a temporada de 2002 pela Newman/Haas, com 7 vitórias e um total de 12 triunfos na carreira IndyCar. Seu domínio em 2002 ficou marcado pela sequência de vitórias que igualou recordes da época.
A IndyCar, com suas pistas diversas — ovais curtos, superspeedways, circuitos mistos e de rua — exige versatilidade. Durante o The Split, CART e IRL moldaram diferentes caminhos, cada uma com seus chassis, motores e estratégias, até o atual padrão de chassi único da Dallara, que prioriza o acerto da equipe e a habilidade do piloto.
Entre curiosidades, fica a lembrança do suco de laranja de Emerson Fittipaldi após a Indy 500 de 1993, como símbolo de personalidade. Gil de Ferran guarda a volta mais rápida da história em Fontana, enquanto Tony Kanaan ganhou notoriedade pela superstições e pela conexão com o público, ajudando a consolidar a presença brasileira no grid ao longo dos anos. A participação de brasileiros no topo da IndyCar chegou a superar dezenas de pilotos de outros países, refletindo o impacto da escola brasileira no automobilismo.
O legado do Brasil na IndyCar vai além das vitórias: elevou o nível técnico, ajudou a globalizar a categoria e criou uma base de fãs sólida na região. Ao longo das temporadas, Fittipaldi, de Ferran, Kanaan e Da Matta definiram um padrão de excelência, mantendo o Brasil entre as maiores potências do automobilismo de monopostos nos Estados Unidos e inspirando novas gerações de talentos na região.
