Endividamento avança entre famílias de MG; veja impacto no orçamento

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Belo Horizonte vive um cenário de endividamento elevado. Em abril de 2026, 88,5% das famílias da cidade declararam ter algum tipo de dívida, pressionando o orçamento doméstico. O cartão de crédito aparece em 97% dos casos, sinalizando uma mudança de função desse instrumento de consumo. Mesmo com uma leve queda frente a março, o patamar continua entre os mais altos do país, refletindo um desafio compartilhado com o restante do Brasil, onde o endividamento somou 80,9% no mesmo mês.

A inadimplência na capital é ainda preocupante. 63% das famílias têm contas atrasadas, com o contingente mais pesado entre quem ganha até dez salários mínimos, em 65,1%. O atraso médio é de 60,4 dias, e 43,9% dos inadimplentes estão com dívidas vencidas há mais de 90 dias. Além disso, 83,2% das famílias com dívidas devem mais de 10% da renda, e 28,2% enfrentam parcelas que consomem mais de 50% do orçamento.

No Brasil, o endividamento segue em patamar recorde: 80,9% das famílias estavam endividadas em abril de 2026, segundo a PEIC da CNC. O contingente de inadimplentes bateu recorde histórico, com 83,3 milhões de negativados no Serasa, concentrados principalmente entre pessoas de 41 a 60 anos (35,6%) e 26 a 40 anos (33,4%). O movimento de renegociação aumentou: acordos fechados chegaram a uma média de R$ 804, com descontos que somam mais de R$ 10,9 bilhões e opções de renegociação superiores a R$ 1 trilhão em dívidas passíveis de acordo.

Especialistas apontam fatores comuns que elevam o custo de vida: juros ainda elevados, alta de combustíveis, especialmente diesel, e incertezas internacionais. O endividamento avançou em todas as faixas de renda: quem recebe até três salários mínimos atingiu 83,6%, e quem ganha mais de dez salários mínimos ficou em 70,8%. Apesar do avanço, a inadimplência continua estável, em torno de 29,7%, sugerindo que parte das famílias ainda consegue gerenciar as dívidas, ainda que em equilíbrio frágil.

Perspectivas e recomendações destacam a importância do planejamento financeiro. Especialistas dizem que renegociar dívidas sempre que possível, manter o orçamento sob controle e evitar novos compromissos sem previsibilidade de pagamento são as melhores saídas para reduzir impactos no médio prazo. Com a Selic a caminho de quedas mais lentas, o ritmo de aperto deve permanecer, mantendo o endividamento elevado por mais tempo.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Antes de morrer, Oliver Tree revelou decisão inusitada sobre herança

O cantor e comediante norte-americano Oliver Tree morreu em um grave acidente envolvendo dois helicópteros no Rio de Janeiro. Em vida, ele deixou...

Pai do garantismo penal de volta ao Brasil

Milena TeixeiraJurista italiano Luigi Ferrajoli é esperado em evento; discussão reacenderá debate sobre o livro “Por uma Constituição da Terra”Compartilhar notíciaConsiderado o pai do...

Dois homens são presos após jogar artefato explosivo em viatura no Curuzu

Dois homens foram presos na madrugada de domingo (14), em Salvador, suspeitos de hostilizar policiais durante uma festa de paredão no Curuzu. Conforme...