Resumo: No terceiro dia do julgamento do caso Henry Borel, o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro afirmou que Jairinho apresenta traços de perversidade, com prazer em infligir dor a crianças. O profissional, contratado pelo pai da vítima para traçar o perfil dos réus, aponta padrões de abuso. A defesa de Monique Medeiros criticou o depoimento, enquanto a polícia descreveu indícios de uma farsa nas versões iniciais. Palavras?chave: Caso Henry Borel, Jairinho, Monique Medeiros, perfil psicológico, violência contra crianças.
O psiquiatra explicou que não teve contato direto com os réus: ele analisou depoimentos, entrevistas concedidas e conversas com pessoas que conviveram com Jairinho e Monique. Bernardon também disse ter apurado informações com duas mulheres que já se relacionaram com Jairinho, incluindo Natasha de Oliveira Machado, descrita como amante. Segundo o médico, uma filha da mulher relatou que o braço foi torcido pelo namorado da mãe e que orientaram a vítima a dizer que sofreu um acidente. Em outro relato, houve uma suposta sessão de afundamento em uma piscina.
Para o médico, o “padrão de repetição” aponta que a pessoa pode ter prazer em provocar dor e que o público?alvo seria crianças pequenas. O caso envolvendo o filho da revelada Debora Mello Saraiva, com fratura no fêmur e episódios de pisoteio, também serviu de referência para sustentar o perfil descrito. Bernardon afirmou que não houve contato direto com os réus, apenas estudo de depoimentos e informações de quem conviveu com eles.
Durante a sessão, o advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, distribuiu à imprensa um comunicado criticando o testemunho. A defesa argumentou que seria “um absurdo” ouvir um médico que, segundo eles, não entrevistou as partes e foi contratado pela acusação para expor impressões pessoais. A juíza rejeitou a impugnação, mantendo o depoimento no andamento do tribunal. A defesa de Monique Medeiros questionou o método do perito, alegando que não se pode traçar o perfil sem entrevista direta aos réus.
No decorrer do julgamento, permanece prevista a oitiva de Maria Cristina de Souza Azevedo, médica do Hospital Barra D’Or, que atendeu Henry no dia da morte. Também devem ser ouvidos o médico legista Luiz Airton Saavedra e o legista da Polícia Civil, Luiz Carlos Leal Prestes. A delegacia que investigou o caso já indicou que a primeira versão — de que a criança teria morrido após cair da cama — fazia parte de uma “farsa ensaiada”, segundo o depoimento do delegado Damasceno.
Ao todo, 27 testemunhas foram arroladas para a fase do júri, que contará com sete jurados. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, três torturas contra crianças, fraude processual e/coação no curso do processo; Monique Medeiros responde por sete crimes, incluindo homicídio, coação no curso do processo, tortura e fraude. Enquanto o tribunal avança, a população acompanha com atenção a busca por respostas sobre responsabilidade e proteção de menores.
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