Nigéria: terroristas têm cristãos como alvo, mostra relatório

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Relatório conjunto do IIRF e ORFA mostra que, entre outubro de 2019 e setembro de 2025, a violência na Nigéria atingiu desproporcionalmente os cristãos, com o perfil de ataques vindo principalmente de milícias Fulani e grupos extremistas. O documento apresentado ao Relator Especial da ONU sobre Liberdade de Religião aponta que, no total de civis, 42.033 foram mortos, sendo 22.835 cristãos e 10.519 muçulmanos. Entre os perpetradores, as milícias Fulani foram responsáveis por 44% de todas as mortes civis e por 53% das mortes de cristãos. Boko Haram e ISWAP somaram 12% das fatalidades civis. O relatório também registra um quadro de violência que envolve dimensões religiosas, climáticas e por recursos.

Ao todo, em seis anos, foram registradas 79.323 mortes, em 15.434 ataques, e 34.917 pessoas sequestradas. Destas, 34.773 eram civis, incluindo 15.932 cristãos, 15.272 muçulmanos, além de outros 252 adeptos de religiões tradicionais africanas e 3.317 com identidade religiosa desconhecida. A cada 100 civis sequestrados, 73 acabaram mortos ou sumiram nas ações contra suas próprias localidades. Além disso, as mortes de cristãos ocorridas em razão de afiliações religiosas mostram uma diferença de proporção: cristãos representaram 53% das mortes entre esse grupo, enquanto Boko Haram/ISWAP somaram apenas 8%.

O relatório enfatiza que a narrativa de genocídio é insuficiente para explicar os números e aponta que as ações violentas refletem uma rede de milícias étnico?religiosas, com a Milícia Étnica Fulani (FEM) como principal vetor de violência. Em contraste, o Boko Haram e o ISWAP representam uma parcela menor das mortes civis. O estudo também destaca que, nos últimos três meses de 2025, os assassinatos de civis aumentaram 51% e os sequestros 153% em relação ao mesmo período de 2024, tornando o quarto trimestre de 2025 o pior em sete anos de monitoramento.

Entre as recomendações, o IIRF/ORFA pedem reconhecimento público de que a violência na Nigéria tem dimensões tanto de recursos quanto religiosas, com o FEM explicitamente designado como um dos principais fatores. O relatório defende reformas estruturais, como a proibição de discurso de ódio religioso em códigos penais, inclusão de proteção à liberdade de religião na Constituição e maior transparência na identificação de autores de violência. Também sugerem investigações independentes, a redinamização das forças de segurança nas regiões Nordeste, Noroeste e Centro?Norte, e o fortalecimento do policiamento comunitário, com maior coleta de dados sobre identidade religiosa nos relatórios de segurança e humanitários.

O texto observa ainda que, segundo as fontes, a resposta internacional não deve se limitar a mirar apenas Boko Haram e ISWAP, mas exigir responsabilização das milícias Fulani e a melhoria da proteção às populações locais. O relatório cita, como contexto, a visão do governo de Donald Trump de enquadrar algumas operações como parte de uma estratégia de proteção aos cristãos na Nigéria, postura que o documento contextualiza com cautela diante da realidade regional. Moradores das regiões afetadas esperam ações concretas que diminuam a violência e garantam direitos básicos a todas as comunidades.

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