A segunda fase da Operação Blue Hope foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em parceria com o ICMBio para transportar e abrigar a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) em unidades com condições sanitárias adequadas. A espécie, criticamente ameaçada, testou negativo para o circovírus aviário (PBFD), permitindo seguir com a transferência. O objetivo é garantir a sobrevivência e a conservação da espécie por meio de um ambiente controlado e sanitariamente seguro.
A medida decorre de uma decisão judicial da Subseção Judiciária da Justiça Federal de Juazeiro, que autorizou a entrada das equipes nos imóveis sob fiscalização e a remoção imediata das ararinhas-azuis sáudaveis para uma unidade de conservação do ICMBio, com infraestrutura técnica e sanitária adequada. A iniciativa surge no âmbito de um inquérito que investiga a disseminação de um agente patogênico altamente contagioso e resistente na região de Curaçá, no norte do estado, com potencial de danos à fauna e ao equilíbrio ecológico da Caatinga.
Segundo as investigações da PF, o cenário epidemiológico em Curaça é grave, com presença ativa do circovírus aviário e risco elevado de transmissibilidade, para o qual não há tratamento eficaz conhecido. Os policiais encontraram falhas nos protocolos básicos de biossegurança do criatório, incluindo ausência de isolamento entre espécimes infectados e sadios e manejo inadequado da espécie, o que aumenta o risco de disseminação do vírus no ambiente.
Nesta fase, 12 policiais federais trabalham ao lado de técnicos e servidores do ICMBio, com o manejo das aves sob protocolos rigorosos de segurança biológica e bem-estar animal. O transporte ocorre com supervisão técnica e sanitária, priorizando a integridade das ararinhas-azuis sáudaveis. A ação dá continuidade ao que foi feito na primeira fase da Operação Blue Hope, quando foram apreendidos mais de cem exemplares da espécie em investigação ambiental na região.
Entre os crimes apurados estão a disseminação de doença com potencial dano à fauna, a prática de maus-tratos contra animais silvestres e a obstrução de fiscalização ambiental. As ações buscam não apenas responsabilizar criminalmente os envolvidos, mas cumprir o dever constitucional de proteger a biodiversidade brasileira e evitar danos ecológicos irreversíveis na Caatinga. Compartilhe sua opinião nos comentários sobre o tema.
