O Metrópoles consultou os pré-candidatos ao Senado por São Paulo sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1, aprovada na Câmara dos Deputados, à espera de votação pelos senadores.
Nem todos, no entanto, quiseram se manifestar sobre o tema em tramitação na Casa Legislativa que buscam integrar a partir de 2027 (leia mais abaixo). Segundo pesquisa Genial Quaest realizada entre os dias 8 e 11 de maio, sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala de seis dias trabalhados com um de descanso.
Da chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal Guilherme Derrite (PP) se ausentou da votação na Câmara, nos dois turnos. Já o deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), André do Prado (PL), tampouco se posicionou sobre a PEC. Procurados pela reportagem, a dupla de pré-candidatos ao Senado não se manifestou. Já governador fez sua ponderação ao afirmar estar preocupado com os impactos da medida para o setor produtivo.
“Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala menor, ganhar a mesma coisa e estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador. E trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema”, disse Tarcísio em discurso recente.
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Correndo por fora, até o momento, da chapa do governador, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, hoje deputado federal pelo Novo, votou contra a redução da 6×1, assim como seus correligionários de outros estados.
O parlamentar aspirante ao Senado disse que o PL deu votos favoráveis ao fim da 6×1 por “medo da opinião pública, em vez de fazer o ‘certo’”. “Felizmente, os mais corajosos votaram contra”, afirmou Salles ao Metrópoles. O partido, casa de André em São Paulo, teve somente 11 votos contrários à PEC e 83 favoráveis. Já o PP de Derrite apoiou em peso a proposta, com seus 47 deputados federais.
Salles participou recentemente de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em reforço à posição contrária da instituição à PEC.
Pré-candidatos da esquerda
Os cotados para a chapa do pré-candidato ao governo estadual Fernando Haddad (PT) se mantêm a favor da redução da jornada dos trabalhadores desde o início da tramitação da PEC. Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) comemoraram nesta semana a aprovação na Câmara.
“O fim da escala 6×1 pode transformar a vida de 4,28 milhões de trabalhadores paulistas e de cerca de 7 milhões de pessoas em todo o Sudeste. No Brasil, são quase 15 milhões de vidas que poderão ter mais tempo para descansar, estudar, conviver com a família, acessar cultura e simplesmente existir para além do trabalho”, celebrou Marina.
Tebet citou “avanço” com a votação, mas lembrou que ainda falta a próxima etapa no Senado. “Avançamos, mas o jogo não está ganho, porque agora o projeto segue para o Senado, e lá tem muita casca de banana. Tem muita gente querendo sabotar o projeto”, avaliou. “Vamos continuar fazendo pressão, vamos continuar atentos”, completou.
Já França, que chamou a diminuição de jornada de “conquista importante”, ponderou sobre a necessidade de proteção às pequenas empresas. “O governo vai ter que encontrar um mecanismo de subir os tetos do MEI, do Simples e também criar algum tipo de benefício para que eles possam se adaptar a essa realidade sem que sejam punidos porque querem fazer o certo”, acrescentou.
Haddad afirmou que o fim da escala 6×1 representa “mais qualidade de vida, mais produtividade e mais dignidade” para os trabalhadores. O ex-ministro da Fazenda classificou o avanço da pauta no Congresso como uma “vitória histórica”.
Bancada paulista
Na Câmara, cinco deputados federais de São Paulo votaram contra a proposição que prevê a jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias, com dois de descanso. No primeiro turno, além de Salles, foram: Adriana Ventura (Novo), Fausto Pinato (União Brasil), Kim Kataguiri (Missão) e Rosangela Moro (PL). Dessa lista, apenas Pinato mudou o voto, assinalando ser favorável à proposta, no segundo turno da eleição na Casa.
