Banco de Edir Macedo fez repasse de carteira com quase 60% de inadimplência

Escrito por: Diógenes Cunha

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O Banco Digimais, controlado pela holding de Edir Macedo, vem ganhando destaque ao concentrar grande parte de seu crédito em financiamentos de veículos. Relatórios indicam inadimplência elevada em carteiras vendidas a fundos, com potenciais impactos para a rentabilidade da instituição. O cenário aumenta o interesse do mercado pela possível aquisição pela BTG Pactual, ainda sujeita a condições e ao aval do FGC.

Historicamente, o principal negócio do Digimais foi o crédito veicular. Em 2021, esse segmento respondia por 94% das operações; ao longo dos anos, a participação caiu para cerca de 52% da carteira, à medida que parte das operações foi transferida a fundos. O banco também investiu em FIDCs, incluindo o Hermon, adquirido pela holding. O Hermon envolve uma indenização judicial a herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia, ligada à Vale, com valores estimados em bilhões a receber, ainda em disputa na Justiça.

Na prática de crédito veicular, os números de inadimplência são preocupantes. Em abril de 2026, o fundo Tabor controlava R$ 960 milhões em carteiras, dos quais R$ 575 milhões estavam em atraso — 59,9%. Mais de R$ 200 milhões referiam-se a parcelas vencidas há até dois anos. O último balanço semestral, de dezembro de 2025, apontou R$ 366 milhões em créditos vencidos na modalidade de financiamento de veículos; o próprio Tabor já somava quase R$ 479 milhões em inadimplência. As perdas não aparecem discriminadas nas demonstrações financeiras do banco.

Especialistas ouvidos destacam que usar FIDCs com esse nível de inadimplência não é comum em bancos bem geridos. “Quando um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios fica com 50% de inadimplência, o caminho natural é encerrar o fundo”, afirma Alexandre Ripamonti, perito contábil. Gabriel Uarian, analista de investimentos, acrescenta que essa prática não é padrão e que a gestão deve oferecer maior transparência e controle de risco. Do lado institucional, o BTG Pactual informou ter assinado documentos vinculantes para uma aquisição potencial do Digimais, ainda sujeita a condições precedentes e à participação do FGC, com processo competitivo.

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