Conheça a história do hospital que foi palco do ‘Holocausto Brasileiro’

Escrito por: Diógenes Cunha

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O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), antigo Hospital Colônia, encerrou oficialmente suas atividades com a transferência dos últimos 14 pacientes para residências assistidas. A cerimônia marca o fim de uma era marcada por sofrimento e abusos, reconhecendo que cerca de 60 mil pessoas morreram no local durante décadas de funcionamento.

Conhecido nacionalmente como o “Holocausto Brasileiro” após o livro de Daniela Arbex lançado em 2013, o Colônia ficou associado a maus-tratos, internações forçadas e violações de direitos humanos. A obra reúne relatos de sobreviventes, ex-funcionários e familiares, consolidando a imagem do que já foi considerado o maior hospital psiquiátrico do Brasil.

Entre as denúncias, destaca-se a venda de corpos de pacientes para instituições de ensino. Pesquisas citadas por Arbex apontam que pelo menos 1.857 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições médicas, com valores da época em torno de R$ 323 por corpo. Em março, a UFMG divulgou um pedido público de desculpas por ter adquirido cadáveres para aulas de anatomia, reconhecendo que isso aviltou a dignidade de pessoas falecidas no hospital. Arbex ressaltou que as vítimas realmente nem mesmo na morte receberam respeito, pois seus corpos foram vendidos sem consentimento das famílias.

O fechamento definitivo foi saudado pela cidade como sinal de mudança. O prefeito de Barbacena, Carlos Du (PSD), afirmou que o ato representa “um momento histórico” e que o encerramento simboliza o compromisso com a liberdade, a inclusão e a valorização da vida humana.

O Colônia foi inaugurado em 1903 e, ao longo de décadas, tornou-se símbolo de exclusão social, com internações compulsórias e fiscalização falha. Além de pacientes com transtornos mentais, recebeu minorias e pessoas em condições vulneráveis. Hoje, os últimos internos foram encaminhados para modelos de cuidado mais humanos, consolidando a transição para uma abordagem que prioriza dignidade, autonomia e acolhimento.

Este marco histórico convida o público a refletir sobre o passado e o tema da saúde mental no Brasil. O que você acha importante fazer para assegurar que aprendizados desse período não se repitam? Compartilhe suas ideias e opiniões nos comentários.

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