‘Nunca fui tão humilhado’: comissário vítima de racismo fala pela 1ª vez

Escrito por: Diógenes Cunha

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Um comissário de bordo brasileiro denunciou, pela primeira vez, ter sido alvo de racismo, xenofobia e homofobia durante um voo entre o Brasil e a Alemanha, com escala em Santiago. O ataque ocorreu três horas após a decolagem, quando ele tentou impedir que um passageiro chileno abrisse a porta da aeronave. O agressor foi preso ao retornar ao Brasil, e o comissário permanece afastado de funções enquanto a investigação avança.

O episódio aconteceu no trecho que partiu de Guarulhos com destino a Frankfurt, e envolveu a intervenção do comissário para conter uma briga entre outras comissárias. Segundo ele, ao perceber o homem com a mão na alavanca da porta, começaram os insultos de teor racista, xenófobo e homofóbico, que se prolongaram até que o agressor aceitasse retornar ao seu assento.

Entre as agressões, o chileno foi chamado de macaco, houve imitações de sons de animal e declarações de que ser gay seria o problema. O relato do comissário descreve ofensas que atingiram diretamente a dignidade da equipe, gerando um ambiente de medo entre os tripulantes a bordo.

A defesa do suspeito alega tratamento psiquiátrico, internação em 2013 e vulnerabilidade após a morte do irmão. Também afirma ter consumido bebida alcoólica no dia do voo e estar desorientado no momento do incidente. O homem permanece preso preventivamente no Brasil desde que retornou de Frankfurt, em escala em São Paulo, enquanto a Justiça Federal analisa o caso.

A Polícia Federal prendeu o suspeito ao retornar ao Brasil, com base em crimes de injúria racial e homofóbica contra tripulantes. O caso reacende o debate sobre preconceito em viagens e reforça a necessidade de proteção aos profissionais de bordo. O inquérito segue sob responsabilidade da Justiça Federal, com desdobramentos aguardados pelo setor de aviação.

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