A partir desta sexta-feira, 5 de junho, o governo de Donald Trump, em seu segundo mandato presidencial nos EUA, classifica o PCC e o CV como terroristas. A decisão, anunciada pelo Departamento de Estado no fim de maio, os designa como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A medida visa desmantelar redes financeiras, logísticas e operacionais que sustentam as facções brasileiras, consideradas as mais violentas do país.
A nova classificação permite ao governo norte-americano aplicar sanções econômicas, diplomáticas e criminais contra o PCC e o CV. Pela via de atuação da OFAC, ativos no sistema financeiro dos EUA podem ser bloqueados, interrompendo o acesso a fundos. Pela designação como FTOs, entram em vigor restrições diretas para membros e colaboradores, incluindo a proibição de entrada nos EUA e a criminalização de qualquer suporte, recurso ou serviço a essas organizações.
A fundamentação oficial cita a Seção 219 da Ley de Imigração y Nacionalidade (Lei de Imigração e Nacionalidade) e a Ordem Executiva 13224. Segundo o comunicado, a influência do PCC e do CV vai além das fronteiras brasileiras, afetando a segurança regional e o fluxo de narcóticos que alimenta redes transnacionais. A ação é apresentada como parte de uma estratégia para proteger a segurança nacional e interromper a receita que financia ataques contra policiais, servidores públicos e civis, enquadrando-se na luta contra o narcoterrorismo.
O perfil dos grupos é distinto, mas complementa-se pela atuação criminosa: o CV surgiu na década de 1970, no sistema prisional do Rio de Janeiro, controlando territórios em comunidades; o PCC, criado em 1993, em São Paulo, estruturou uma gestão empresarial voltada à logística do tráfico internacional e às rotas fronteiriças com Paraguai e Bolívia. A aliança entre as facções foi rompida em 2010, e desde então confrontam-se pela influência em presídios e em rotas logísticas pelo Brasil.
Com a nova designação, as facções enfrentam o maior nível de pressão institucional e econômica já aplicado pelos EUA a organizações criminosas transnacionais. A expectativa é dificultar estruturas de financiamento e dificultar operações que cruzam fronteiras, reduzindo o alcance do narcotráfico e seus impactos na região e além.
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