Resumo: Caroline Galhardo, vítima de uma tentativa de feminicídio marcada por 20 golpes de faca, luta para reverter a redução da pena do ex-namorado, Alef de Souza Braga, de 17 para 12 anos. O caso, acompanhado de perto, expõe violência extrema e acende o debate sobre proporcionalidade no sistema de justiça de São Paulo.
O advogado de Caroline, Yuri Felix, aponta que a redução da pena, em um caso tão brutal, desperta questionamentos e levou a defesa a recorrer aos tribunais superiores. A decisão do TJSP foi baseada na avaliação de violência desmedida, e o recurso pode chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, se for o caso, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Metrópoles traz o retrato do posicionamento da defesa diante dessa dosimetria mais branda.
O ataque ocorreu em abril de 2024, quando Alef invadiu o apartamento de Caroline, esperou-a chegar e a atacou pelas costas enquanto ela falava ao interfone. Caroline foi atingida no pescoço, tórax, rosto e outras áreas, sobrevivendo a 21 dias de internação, sendo 17 em UTI. Ela perdeu 40% da capacidade pulmonar esquerda e precisou reaprender a comer e a falar, convivendo ainda com sequelas físicas e psicológicas.
“Violência desmedida” é como o advogado descreve o caso. Em audiência, ele ressaltou que, mesmo com 20 anos na prática criminal, raras vezes testemunhou uma agressão tão cruel. Durante o processo, a vítima foi ouvida com cuidado para evitar nova revitimização, sob condução criteriosa do Ministério Público e da magistrada. O tom das falas destacadas pelo responsável pela defesa reforça a necessidade de uma dosimetria proporcional à crueldade demonstrada.
Mês de abril de 2024 teve 110 tentativas de feminicídio no estado, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP); 22 delas ocorreram na capital. O caso de Caroline ganha contorno no cenário de aumento da violência letal contra mulheres: 2025 registrou 266 feminicídios no estado—o maior número desde o início das séries; em São Paulo, a capital alcançou 60 mortes em 2025, frente a 49 em 2024. Caroline afirma que transformar a dor em luta é também uma forma de alertar outras mulheres: “nasceu uma mulher que luta por outras mulheres. Decidi não me calar, apesar de doer.”









Para a defesa de Caroline, a discussão nos tribunais superiores não é apenas sobre o tempo de prisão, mas sobre a proporcionalidade da punição frente à brutalidade reconhecida pelo Conselho de Sentença. Em tom contundente, Yuri afirma que a crueldade da agressão merece ser pesadamente considerada na dosimetria, e que o objetivo é que quem cometeu tamanho ato receba uma pena condizente com o crime.
O caso permanece para análise no STJ e, se necessário, no STF, com a defesa buscando uma resolução que reflita o impacto humano do ataque e a violência contra a mulher. Em síntese, trata-se de uma busca por justiça que vá além do tempo de detenção, conectando-se a uma causa maior de proteção às vítimas e de combate à violência de gênero.
E você, qual a sua leitura sobre a proporcionalidade das penas em casos de feminicídio tentado? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião sobre como a sociedade pode reforçar a proteção às mulheres diante da violência.
