Gilmar Mendes alerta para inconstitucionalidade de gastos sem custeio após a CCJ aprovar PEC dos agentes de saúde

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Resumo: o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, defende responsabilidade fiscal e alerta que propostas que criem despesas sem estimativa de impacto podem ser inconstitucionais, em meio ao debate sobre as chamadas pautas-bomba no Congresso.

Em publicação na rede social X, Mendes enfatizou que há “um risco relevante” de inflação acompanhada de baixo crescimento econômico, o que compromete governabilidade e estabilidade política. Ele reforçou que a base para o desenvolvimento de qualquer país é uma macroeconomia estável e que, nesse contexto, a responsabilidade fiscal é condição essencial.

O contexto envolve a articulação do governo para conter propostas com alto impacto financeiro. O termo “pauta-bomba” descreve medidas legislativas, geralmente de natureza fiscal, que podem gerar despesas previstas sem estimativas de custo, abrindo caminho para questionamentos legais.

Entre os pontos discutidos, destaca-se a PEC 14/2021, que cria regras de aposentadoria integral com paridade para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A proposta prevê 57 anos para mulheres e 60 para homens, com 25 anos de contribuição, e transição escalonada até 2041 para quem já atua na data de promulgação. O Bahía Notícias trouxe o debate ao mostrar a PEC como pauta considerada “bombástica” para o governo Lula pelos impactos estimados.

O Ministério da Fazenda também atua nos bastidores. Em reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o ministro da pasta pretende conter propostas que, segundo estimativas da equipe econômica, poderiam custar até R$ 276 bilhões. Mendes lembrou que a Constituição exige estimativas prévias de impacto orçamentário e financeiro para qualquer medida que gere despesas ou benefícios fiscais.

Em meio ao confronto entre governo e Legislativo, o STF já tem jurisprudência pacífica sobre o tema: sem estudos prévios de custo, a aprovação de novos gastos pode ser considerada inconstitucional. Mendes advertiu sobre a necessidade de blindar as contas públicas contra pressões políticas de curto prazo, mantendo fidelidade à Constituição e evitando conquistas casuísticas que possam invalidar normas futuras.

Imagem%20toda%20 %20para%20Muni%20(36) Foto: Saulo Cruz / Agência Senado

Ao avançar na discussão, a PEC 14/2021 permanece no plenário com pedido de calendário especial de tramitação, articulado pelo presidente da CCJ, Otto Alencar. A leitura é de que a aprovação sem custeio claro prejudica a responsabilidade fiscal e pode levar à invalidação judicial, reforçando a necessidade de fontes de custeio bem definidas.

Concluo destacando que as decisões sobre pautas-bomba não são apenas técnicas; elas moldam o equilíbrio entre direitos e responsabilidade com o dinheiro público. Como você enxerga esse embate entre agenda social e equilíbrio financeiro? compartilhe seus pontos de vista nos comentários.

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