Uma empresa de táxi aéreo de Belo Horizonte, CNM Aviação, recebeu R$ 244 mil em campanhas eleitorais registradas em 2022, mesmo sem constar como operadora de aeronaves. A investigação do Ministério Público Federal aponta que Juliana Costa Nobre Magalhães, proprietária da CNM, atuava como gerente-executiva de uma quadrilha associada a Karina Campos, conhecida como a Rainha do Pó, e criou a CNM para manter negócios ilícitos ligados ao tráfico de cocaína e à lavagem de dinheiro, usando o hangar anteriormente ocupado pela BHZ Táxi Aéreo.

Pontos-chave das campanhas mostram que a maior parcela veio do PSD de Minas Gerais (R$ 162 mil), com mais R$ 54 mil pagos pela campanha de Alexandre Kalil ao governo de Minas (atual integrante do PDT). A CNM também emitiu notas de R$ 14,7 mil para Chiara Biondini (deputada estadual) e de R$ 14,1 mil para Eros Biondini (deputado federal), ambos pelo PL.
Operações, registros e voos indicam que as notas fiscais mencionam voos com dois jatinhos de alto padrão — Cessna Citation II (prefixo PR-VIR) e Cessna Citation VII (PR-JAP) —, mas a CNM Aviação jamais foi registrada na ANAC como operadora. A operadora listada era a BHZ Táxi Aéreo Ltda., de São Luís (MA). Em uma nota, o PSD pagou por voos entre Belo Horizonte (Pampulha) e Montes Claros (1.200 km contratados), porém o trajeto efetivo somou 1.168 km, e o pagamento cobriu 2.400 km.
Conexões com o crime organizado aparecem na denúncia de 2023, que atribui a Juliana o papel de “gerente-executiva” da organização de Karina Campos. Juliana foi presa preventivamente e, depois de liberada, denunciada por formação de quadrilha. O MPF afirma que ela constituiu e administrou, em nome de Andrê e Leonardo, a CNM Aviação e Táxi Aéreo no mesmo endereço da BHZ, para manter ativos que resultam do tráfico internacional de drogas e da lavagem de dinheiro.
Outros desdobramentos incluem o arrendamento de aeronave por parte do deputado Fred Costa (PRD) à CNM, com pagamento por quilômetro voado e remuneração mínima de R$ 30 mil mensais. A investigação aponta que a CNM funcionou como fachada para o grupo, com o hangar reativado para sustentar as atividades ilícitas. O caso permanece em apuração, com possíveis novos desdobramentos no horizonte.
E você, o que acha sobre o uso de empresas de fachada em campanhas e operações criminosas? Compartilhe seus pensamentos nos comentários, traga perguntas ou observações para enriquecer o debate com responsabilidade e clareza.
