Lula aposta em diálogo político com a UE para reverter veto à carne

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A União Europeia retirou o Brasil da lista de exportadores autorizados de carnes e de outros produtos de origem animal, citando uso de antimicrobianos na criação. O governo brasileiro já foca em retomar o diálogo com a UE, buscando registrar avanços diplomáticos para reverter a medida, sob uma condução mais política das negociações com o bloco.

Em 5 de junho, a UE comunicou oficialmente a suspensão, após aviso prévio em 12 de maio. A decisão pode impedir as vendas brasileiras ao bloco a partir de 3 de setembro, abrangendo carne bovina, frango, carne eqüina, pescado, mel e tripas, dependendo do atendimento aos requisitos sanitários.

A Comissão Europeia afirmou não ter recebido garantias de que o Brasil atenderá às exigências de uso de antimicrobianos até setembro de 2026, o que levou à exclusão do país da lista para as categorias afetadas. A medida não é dirigida apenas ao Brasil; outros países do Mercosul permanecem aptos a exportar.

No Brasil, a reação foi de surpresa e de leitura de que há um componente político na decisão. Lula, segundo interlocutores, discutiu o tema com Ursula von der Leyen e pretende atribuir às negociações um tom mais diplomático, em meio a falhas de comunicação entre as partes.

Para reverter o cenário, o governo criou um canal direto entre o Itamaraty e a União Europeia, com participação do Ministério da Agricultura (Mapa), visando conduzir as tratativas de forma técnica, porém com abordagem mais política para recuperar o acesso aos mercados europeus.

Paralelamente, a UE anunciou restrições ao aço e ao óleo de soja importados do Mercosul, citando excesso de produção global, principalmente pela China. As medidas entrariam em vigor em 1º de julho, com o volume de aço sem tarifas reduzido pela metade para 18,3 milhões de toneladas e a alíquota sobre o excedente subindo de 25% para 50%. O governo brasileiro aponta que há um viés político na decisão, o que pode impactar a credibilidade das relações comerciais.

A estratégia do Brasil, em linhas gerais, é não questionar as diretrizes sanitárias da UE, mas buscar resolver as pendências por meio de diálogo diplomático. O objetivo é chegar a um acordo que permita a retomada das exportações de proteína animal ao bloco, com uma condução mais aberta e técnica das negociações.

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