Balanço final da Faixa Azul mostra aumento de mortes e acidentes

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Nova avaliação da prefeitura de São Paulo sobre a Faixa Azul aponta aumento de mortes e de acidentes em vias onde a faixa exclusiva para motos foi implantada. Enquanto a gestão municipal afirma que a medida visa preservar vidas, os números indicam piora em diversas métricas de segurança e alimentam o debate sobre a eficácia da política.

Arte Metrópoles
Balanço final da Faixa Azul mostra aumento de mortes e acidentes

O relatório confronta dados de antes e depois da implantação, em diferentes vias. Em Minhocão, a faixa foi instalada em junho de 2024, com comparação de 18 meses antes e depois; na Faria Lima, 25 meses. Somando as vias analisadas, as mortes passaram de 57 antes para 68 depois, um aumento de 19,2%. Vítimas não fatais subiram de 2.455 para 2.840 ( +15,6% ), e os sinistros fatais com motocicletas cresceram de 57 para 67 ( +17,5% ).

Os pedestres também são preocupação: as mortes aumentaram de 10 para 25 após a implantação, um expressivo salto de 150%. Atropelamentos com vítimas não fatais subiram de 125 para 155 ( +24% ), e acidentes com carros e motos passaram de 2.016 para 2.295 ( +13,8% ). Em todos os nove recortes analisados, os índices pioraram com a Faixa Azul.

A CET classifica os acidentes como ocorridos “fora da Faixa Azul” ou “dentro da Faixa Azul”, mas a lista de sinistros fatais traz períodos com classificação ausente. Entre as 68 mortes, 20 foram inicialmente registradas como “sem informação” sobre o local. Ao apresentar os dados, a CET passou a tratar registros sem informação como ocorridos fora da Faixa Azul, o que levanta dúvidas sobre a confiabilidade das conclusões de segurança da faixa.

Para sustentar a defesa, a prefeitura recorre à fórmula da Taxa de Severidade, que pondera diferentes tipos de acidente pela extensão da via e o volume diário de veículos. Mesmo com a piora geral, a CET afirma ter reduzido a média da taxa por via de 7,9 para 5,8 pontos — uma queda de 26,5% — indicando, segundo o município, uma melhoria na segurança. Críticas apontam que o peso das vias de maior fluxo pode mascarar problemas em ruas menores, como exemplifica o contraste entre vias largas e pequenas, que pode desequilibrar a leitura global.

A Senatran ainda não definiu prazo para encerrar a análise. Caso os dados indiquem ineficácia, a Faixa Azul pode ser retirada; até lá, a sinalização pode permanecer nas vias já implantadas, mas não há autorização para novas instalações. O relatório consolidado é apresentado como base para a decisão final.

E você, qual é a sua percepção sobre a Faixa Azul? Deixe seu comentário e compartilhe experiências das ruas da sua cidade para enriquecer esse debate sobre segurança viária e políticas públicas.

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