A Justiça deflagrou a Operação Última Parada, com cinco prisões e 104 mandados de busca e apreensão em São Paulo, na Região Metropolitana e em Extrema (MG), envolvendo o PCC e a concessionária Transunição. Os desvios apontados indicam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao transporte público.

Entre os alvos estão o vereador Senival Moura (PT) de São Paulo e o presidente da concessionária Transunição, Lourival França Monário. A operação, chamada Última Parada, foi deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para avançar em investigações sobre como recursos ilícitos teriam circulado na gestão da empresa de ônibus.
A apuração teve início após o homicídio de Adauto Soares Jorge, então presidente da concessionária, em 2020. Policiais do Deic e promotores do Gaeco identificaram indícios de que integrantes do PCC passaram a exercer influência direta sobre a administração da Transunição, apontando a existência de um núcleo paralelo que decidia aspectos estratégicos da empresa.
Os investigadores destacam que houve uma mudança na estrutura societária da empresa, com a aparente elevação abrupta do capital social para além de dezenas de milhões de reais, sem esclarecimento sobre a origem dos recursos. Em 2025, a concessionária teria recebido mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte, movimento utilizado segundo a polícia para dar aparência de legitimidade a recursos de origem criminosa.
Em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte coletivo. Para os investigadores, parte dessa estrutura teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado.
Por determinação da Justiça, foram bloqueados até R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à concessionária. Também houve indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Além disso, foi determinado o afastamento da diretoria da Transunição e autorizado o envio de?? à Prefeitura de São Paulo para possível intervenção administrativa, visando manter a continuidade do serviço.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, o esquema tem ligações com outras operações de combate à lavagem de dinheiro atribuídas ao PCC, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, além da relação com a organização italiana Ndrangheta.
A operação mobilizou cerca de 350 policiais, seis promotores e equipes especializadas do Deic, Garra, GER e GRT. As investigações devem continuar para identificar outros integrantes da organização criminosa e aprofundar a análise da movimentação financeira envolvida no esquema.
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