Investidor afirma que banco de Edir Macedo comprou títulos falsos vendidos pelo Master e os repassou a ele
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Um investidor acusa o Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, de ter vendido a ele uma carteira de créditos consignados no valor de R$ 316 milhões com títulos fraudulentos criados por Reag, Master e Fictor. A devolução foi feita em agosto de 2025, mas os títulos continuam no balanço do banco, segundo auditorias. Trata-se do mesmo tipo de operação que atingiu o BRB, segundo o investidor, que também comprou carteiras com títulos inexistentes.
O nome por trás do processo é Roberto Campos Marinho Filho. Ele afirma ter adquirido, do Digimais, por R$ 659 milhões, uma carteira com 55 mil CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) vinculadas a empréstimos consignados originados por oito empresas distintas. Em auditoria realizada em agosto, ficou claro que mais de 22 mil dessas carteiras originadas por Master, Reag e Fictor eram falsas, sem qualquer documentação que comprove a dívida.
O esquema envolvia a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) da Yards Capital, com Marinho como único cotista. Ao vender as carteiras, o banco integrava-se ao fundo, enquanto o investidor recebia repasses das carteiras que, na prática, não existiam. Marinho alega ter sido pago para adiar a cobrança, mantendo o problema escondido.
Ao tomar conhecimento das irregularidades, o investidor procurou o Banco Central, tendo audiência com o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, em 12 de agosto de 2025. Em seguida, formalizou junto à B3 a devolução da carteira fraudulenta. Hoje, a Yards afirma que a transação deve ser desfeita e que o Digimais pague indenização pela fraude. A gestora também sustenta que o banco operou sem dilig&ec;ndias mínimas e que há conflitos de interêsses entre a gestora do fundo e Marinho.
Sobre os sítios financeiros, a auditoria CLA aponta que o Digimais contabilizou R$ 1,9 bilhões em fundos de investimentos cujas últimas demonstrações emitidas mudaram de opinião, o que dificulta a avaliação de eventuais necessidades de provisão. O fundo, administrado até março pela Sefer, foi liquidado pelo Banco Central. O Digimais chegou a tentar substitui-la pela ID Gestora, mas hoje o fundo está sob a administração da Qore.
Existem hoje três processos na Justiça envolvendo Yards e Digimais. A primeira, movida pela Yards, cobra indenização e acusa os executivos do banco de orientar as originadoras de títulos saudáveis a manter a soma no fundo para despejar o problema no banco. O Digimais, por sua vez, sustenta que o fundo assumiu o risco da carteira e aponta conflitos de interêsses entre a gestora do fundo e Marinho. O banco não se pronunciou sobre o assunto.

