Ex-diretor preso no escândalo do INSS liberou consignado no Digimais

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Resumo: um ex-diretor do INSS assinou em 2024 um acordo de empréstimos consignados entre o banco Digimais — ligado ao bispo Edir Macedo — e instituições de previdência. A PF, na operação Miragem, aponta indícios de fraudes e de uma condução que manteve o banco com liquidez sob pressão. Entre as informações, estão a assinatura de documentos por Fidelis, a participação de João Alves de Campos e a dilatação de problemas financeiros que thresholdizaram o banco nos últimos anos.

A assinatura do acordo, com validade de cinco anos, foi publicada no Diário Oficial da União em 2024, ainda no segundo mandato do governo Lula. Fidelis, que já havia sido preso em novembro anterior sob suspeitas de recebimento de propina em esquema ligado ao INSS, figura como peça-chave ao lado de outros signatários, incluindo João Alves de Campos, alvo de mandado de busca. O acordo abriu caminho para empréstimos consignados pelo Digimais.

Durante o processo, Edir Macedo não foi alvo direto das buscas por residir fora do Brasil, mas o Judiciário decretou quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens. As investigações apontam que o Digimais manipulou balanços, inflou ativos e registrou irregularidades contábeis para ocultar a real situação financeira da instituição, o que configura possível crime contra o sistema financeiro.

Antes disso, o Digimais já enfrentava dificuldades de liquidez desde a pandemia, com a prática de empréstimos consignados — descontos diretos na folha — que, em tese, ofereciam juros menores. Relatórios de 2023 e 2024 indicam que a instituição precisou de aportes de Edir Macedo para não quebra. Em janeiro de 2025, o Banco Central rejeitou a venda do Digimais para o BlueBank, ligada a Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, envolvido em investigações ao lado de parceiros.

Entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, o Digimais firmou contratos de consignados com institutos de previdência municipais de pelo menos 10 cidades de São Paulo, incluindo Tupã, Pindamonhangaba, Praia Grande, Ubatuba, Taubaté, Guarulhos, São Sebastião, São José do Rio Preto e a capital, entre outras. Embora tenha enfrentado resistência inicial de gestores como Tarcísio de Freitas, o banco conseguiu avanços significativos no credenciamento para consignados e outras categorias em junho de 2025, com autorizações do Secretário Caio Mário Paes de Andrade.

Suspeitas ganham fôlego: embora Edir Macedo não tenha sido alvo direto das ações, a ligação entre o Digimais, as assinaturas e o fluxo de recursos alimenta suspeitas de manipulação de balanços e de irregularidades regulatórias para esconder a real situação da instituição. O histórico de inadimplência, os aportes financeiros e as decisões administrativas colocam o Digimais no centro de debates sobre governança e responsabilidade no setor financeiro.

Edição e produção editorial: leia-se com opinião pública, ciência de dados e transparência. Queremos ouvir você: o que chamou mais a sua atenção nesta Vivo-Crítica? Deixe seu comentário e compartilhe suas impressões sobre o papel dos bancos de consignado e a responsabilidade de gestores públicos nesse tipo de operação.

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