Resumo de hoje: estudo da UnB mostra que o desembolso com passagens no Distrito Federal fica em torno de R$ 260 por mês, representando 18,4% do salário mínimo. A tarifa zero aparece como política de mobilidade e de redistribuição de renda, com um modelo de financiamento nacional em pauta e impactos sociais relevantes.

As famílias do Distrito Federal gastam, em média, R$ 260 por mês com passagens de ônibus. O valor mensal, que equivale a 18,4% do salário mínimo, seria suficiente para comprar até oito cestas básicas econômicas ou cerca de 17 kg de frango. Ao longo de um ano, a despesa pode chegar a R$ 3.120.
Os dados são de um estudo da Universidade de Brasília (UnB), vinculado ao IPOL, GeoUrb e ao Núcleo Brasília do Observatório das Metrópoles, coordenado pelo professor Thiago Trindade. A pesquisa ressalta que o deslocamento diário não é uma escolha para grande parte da população trabalhadora.
A principal conclusão é que a tarifa zero deve ser entendida não apenas como política de mobilidade urbana, mas também como uma política de distribuição de renda, aumentando a renda disponível de famílias de baixa renda.
Para chegar aos números, os pesquisadores cruzaram dados da Pemob 2024, do IBGE, e de operadoras de transporte das 27 capitais brasileiras e respectivas regiões metropolitanas.
“A gente fez um cálculo e chegou à conclusão de que se cada empregador depositar uma taxa de R$ 250 por mês para esse fundo, a gente já seria capaz de financiar a tarifa em âmbito nacional, mas com um detalhe importante. Essa contribuição só viria para as empresas a partir do décimo funcionário”
Impacto no bolso da população mostra que 40,8% da população do DF tem renda domiciliar per capita de até um salário mínimo; outros 16,3% ficam até meio salário, e 4,7% até um quarto do mínimo. Assim, o gasto de R$ 260 com transporte pesa especialmente sobre quem vive com menos renda, que depende do ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços.
A cesta básica em Brasília custava R$ 712,06 em março, segundo Conab e Dieese. As cestas econômicas, entre R$ 29,99 e R$ 79,99, poderiam ser adquiridas com esse valor, ou até três itens intermediários (R$ 109,90–119,90). Entre carnes, com R$ 260 é possível comprar, dependendo do corte, entre 4 kg e 7 kg; o frango, entre 17 kg. Em resumo, o orçamento de transporte interfere diretamente no consumo mensal básico.
Mulheres negras são as mais impactadas pelas desigualdades na mobilidade. Entre brancos, o carro é o meio predominante; entre negros, o ônibus é o principal caminho. Pesquisas do IPDF apontam que mulheres negras de baixa renda dependem mais do transporte público para chegar ao trabalho.
Em âmbito nacional, a adoção da tarifa zero poderia injectar cerca de R$ 45,6 bilhões por ano na economia, já descontadas as gratuidades existentes. Deste montante, aproximadamente R$ 2,1 bilhões representariam recursos novos circulando na economia local.
No DF, o debate ganhou força: a Semob lançou um grupo de trabalho para estudar o custo real do programa Vai de Graça, que hoje garante gratuidade aos domingos e feriados, com prazo de 180 dias para conclusão. Enquanto isso, esforços seguem para manter a gratuidade e planejar sua ampliação.
E você, o que acha da tarifa zero para o DF e para o Brasil? Compartilhe suas ideias, dúvidas ou experiências com mobilidade urbana nos comentários.
