A Polícia Militar do Amazonas interrompeu, na noite do último sábado (27), uma cerimônia anual de Tambor de Mina no terreiro Mina Jeje-Nagô Nossa Senhora da Conceição, em Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus. A ação resultou na apreensão de instrumentos sagrados e provocou debate nas redes sobre intolerância religiosa.
Conforme relatado pelos organizadores, a cerimônia ocorreu sem amplificação sonora, valendo apenas tambores, xequerês e cantos litúrgicos. A dupla Iyanifa Mayara Araújo e o zelador Heriberto Sena Jr descreveu o primeiro contato com a polícia como cordial, explicando que se tratava de um culto protegido pela Constituição e sem uso de som alto, apenas rituais com tambores sagrados.
No entanto, conforme relatos, a ação ganhou contornos diferentes quando chegou um policial superior, o que, segundo testemunhas, trouxe postura mais rígida. O jornal A Crítica registra ameaças de interromper o ritual, mesmo com os fiéis reforçando a liberdade religiosa e o caráter laico do Estado brasileiro.
O líder religioso, que também se apresentou como advogado regularmente registrado na OAB, teve sua manifestação desconsiderada pelas autoridades. Em seguida, os policiais entraram no templo e apreenderam instrumentos considerados sagrados, com relatos de manuseio marcado por desrespeito que provocaram indignação entre os presentes.
O caso foi encaminhado ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A comunidade afirma que a operação gerou constrangimento, interrompeu a prática religiosa e violou direitos fundamentais, reacendendo o debate sobre o respeito às tradições afro-brasileiras na cidade.
O que você pensa sobre esse episódio? É possível conciliar segurança pública com a proteção de manifestações religiosas, sem interromper rituais? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a entender diferentes perspectivas sobre liberdade religiosa e convivência cívica em Manaus.
