Com 58% de rejeição entre as mulheres, candidato da ultradireita ignora ofensas do influenciador Paulo Figueiredo
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Se Flávio Bolsonaro, ao contrário do que se imagina, decidiu que perder para Lula em outubro é o melhor para ele — visando voltar a se candidatar à Presidência em 2030 —, então escolheu o caminho certo: calar-se diante dos ataques às mulheres promovidos por assessores de sua campanha. O mais barulhento e misógino deles é o influenciador digital Paulo Figueiredo, neto do último ditador do Brasil, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo. Ele também atua como assessor de seu irmão, Eduardo Bolsonaro; ambos estão refugiados nos Estados Unidos e possuem livre acesso à Casa Branca de Donald Trump.
A estratégia silente, contudo, colide com a demografia eleitoral, já que as mulheres representam quase 53% de todos os eleitores do Brasil. Na pesquisa Nexus/BTG divulgada ontem, 58% delas rejeitam Flávio, enquanto apenas 39% o apoiam.
Para agravar ainda mais a situação do candidato entre o eleitorado feminino, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou de segui-lo — bem como aos seus irmãos — nas redes sociais. O gesto ocorreu após ela romper politicamente com Flávio há uma semana, acusando-o de tê-la humilhado e tratado com rispidez. Embora o candidato tenha dado por virada “a página” do desentendimento com sua madrasta, Figueiredo não recuou e partiu para cima dela e das mulheres em geral.
Na última quinta-feira, em vídeo publicado em seu canal no YouTube, o influenciador afirmou que Michelle é feminista. Nesta segunda-feira (29), em postagem no X (antigo Twitter), ele ofendeu abertamente as mulheres ao escrever:
“— Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. […] Como isso sequer é controverso, meu Deus? Estatisticamente é indiscutível. Mas nem sempre foi assim! Isso tem a ver com o avanço desta ideologia demoníaca feminista que está destruindo a vida das mulheres. Posso e vou provar.”
Na tentativa de se explicar, Figueiredo foi além:
“— Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. Isso o que estou dizendo… Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística.”
Flávio Bolsonaro não o desautorizou até o momento. Prefere fingir que nada tem a ver com Figueiredo, repetindo o comportamento adotado em relação a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a quem pediu dinheiro para financiar um filme de exaltação ao seu pai.
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Resumo inicial: o candidato da ultradireita encara resistência expressiva entre as eleitoras, com 58% de rejeição entre as mulheres segundo Nexus/BTG. A estratégia de silêncio frente aos ataques de Paulo Figueiredo contrasta com o alargamento do clamor público, especialmente após Michelle Bolsonaro romper com o marido. A demografia feminina, que compõe boa parte do eleitorado, configura um desafio significativo para a campanha.
A sondagem aponta que as mulheres, que representam quase 53% do total de eleitores, terão peso decisivo neste pleito. Enquanto Flávio evita confrontos diretos, o influenciador Figueiredo intensifica a contenda com declarações controversas sobre o papel das mulheres no voto, ampliando a tensão entre o apoio e a rejeição.
Michelle Bolsonaro afastou-se publicamente do candidato, deixando de segui-lo nas redes e criticando o tratamento dado a ela. Em retrato do atrito, o influenciador afirmou em rede social que Michelle é feminista, aprofundando a polêmica que envolve a imagem do clã Bolsonaro e seu entorno.
A fala de Figueiredo, difundida em vídeos e postagens, foi marcada por afirmações categóricas sobre o voto feminino, incluindo o trecho sobre mulheres solteiras e o tom provocativo em relação às feministas. A reação, até aqui, tem sido de cobrança pela responsabilidade de quem faz esse tipo de comentário público.
O episódio se soma a acusações anteriores envolvendo o financiamento de filmes em defesa do pai de Flávio, sugerindo uma prática de pressão política envolvendo apoios financeiros. Além disso, o grupo ligado a Flávio e Eduardo Bolsonaro tem ligações que vão além das fronteiras, com presença nos Estados Unidos e referências à Casa Branca.
Como a corrida segue, as atenções se voltam para o papel decisivo das mulheres e para a forma como os candidatos gerem os discursos públicos. E você, qual leitura faz sobre a estratégia adotada e o impacto dessas declarações no cenário eleitoral? Compartilhe sua opinião nos comentários.
