Receita de ONG de produtora de Dark Horse cresceu 170 vezes em 3 anos

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São Paulo

Resumo: em 2025, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) registrou um faturamento de 54 milhões de reais, um salto expressivo desde 2022, quando a receita era de 306 mil. O montante está ligado a um contrato de 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi?fi na periferia, enquanto a gestão investiga possível desvio de verbas públicas envolvendo a produtora Dark Horse.

Entre 2022 e 2025, a ONG Instituto Conhecer Brasil deixou para trás uma receita modesta — de 306 mil em 2022 — para somar 54 milhões no fim de 2025. A maior parte do ganho veio de parcerias e subvenções governamentais (aprox. R$ 51,9 milhões), com outros recursos em educação e em serviços. O aumento coincidiu com o contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para levar internet sem fio a áreas mais afastadas.

A atuação da entidade também trouxe questões legais. Um parecer técnico do Ministério da Justiça apontou irregularidades no estatuto que regula a OSCIP e determinou um prazo de 60 dias para adequação. O prazo terminou sem confirmação de mudanças, o que acende dúvidas sobre a conformidade da organização com a lei vigente.

No núcleo do caso, a polícia e a Subsecretaria investigam a aplicação dos recursos do contrato municipal, que envolveu várias empresas subcontratadas. Notas fiscais vinculadas ao ICB — inclusive uma de 1,2 milhão em nome da própria ONG e outra de 2 milhões que foi cancelada — alimentam suspeitas de possível desvio de verbas destinadas ao serviço de wi?fi para a cidade.

A investigação também envolve a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. A Go Up afirma que o filme custou 75 milhões, com 54,2 milhões gastos nos EUA e 20,9 milhões no Brasil. A análise pública dos documentos aponta indícios de uso de recursos públicos para fins ligados ao longa, em meio a uma apuração em segredo de Justiça.

As demonstrações financeiras indicam gastos elevados em várias rubricas, como pessoal, aluguel e serviços de terceiros. Especialistas apontam a necessidade de ajuste estatutário para cumprir a legislação e de maior transparência na prestação de contas, de modo a evitar interpretações de uso indevido de verbas públicas e de superfaturamento de contratos.

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Enquanto o caso ainda se desenrola, a expectativa é por maior transparência na gestão de recursos públicos e maior clareza sobre os papéis das OSCIPs na aplicação de verbas municipais. O que você pensa sobre o equilíbrio entre financiamento cultural e responsabilidade fiscal nessas parcerias?

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