Ministério detectou irregularidade em documento de ONG de Dark Horse

Escrito por: Diógenes Cunha

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São Paulo — A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) está sob investigação por um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi na periferia. Enquanto isso, o faturamento da entidade saltou de forma abrupta, aumentando cerca de 170 vezes entre 2022 e 2025, levantando dúvidas sobre a aplicação de recursos públicos.

Em fevereiro deste ano, Karina Ferreira da Gama, presidente da ICB, protocolou junto ao Ministério da Justiça o pedido de qualificação como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o que facilitaria a captação de recursos públicos. A primeira análise do MJ pediu alterações no estatuto social, com parecer técnico em 29 de março indicando discordância com dispositivos legais e prazo de 60 dias para adequação.

Conforme o jornal Metrópoles, a renda declarada pela ONG subiu de R$ 306 mil em 2022 para R$ 54 milhões no fim de 2025. A maior parte desse montante veio de parcerias e subvenções governamentais (aproximadamente R$ 51,9 milhões), com R$ 2 milhões classificados como subvenções de educação e R$ 2,6 milhões como receita de prestação de serviços. O salto coincide com a contratação pela prefeitura para a instalação de wi?fi, avaliando o projeto em R$ 108 milhões.

A investigação aponta que a ICB subcontratou diversas empresas para executar parte do contrato público. Notas fiscais apresentadas durante o inquérito levantaram suspeitas, incluindo uma nota de R$ 1,2 milhão emitida pela própria ICB e outra de R$ 2 milhões que foi cancelada. Há a afirmação de que as operações envolvendo o dinheiro público podem configurar crimes licitatórios, lavagem de capitais e possíveis desvios.

No âmbito do filme Dark Horse, a Go Up Entertainment — ligada à própria Karina Ferreira da Gama — negou que os recursos da prefeitura tenham sido usados para custear a produção. O longa é orçado em cerca de R$ 75 milhões, com parte dos gastos declarados nos EUA e no Brasil; a perícia particular anexada aos autos descreve despesas ligadas à produção, que segue em apuração em segredo de justiça.

Entre as despesas declaradas pela ICB, o grupo aponta gastos administrativos significativos: pessoal, encargos sociais, serviços de terceiros, aluguel, transporte e manutenção, totalizando dezenas de milhões de reais em 2025, com a maior fatia destinada a “parcerias e subvenções governamentais” e itens como atividades de comunicação e aquisição de serviços.

A apuração também envolve o DPPC (Polícia Civil) e notas do Coaf, com menções a diálogos que sugerem fluxos de pagamentos relacionados ao filme e a um possível patrocínio atrasado do Banco Master. Em 1º de junho, a produtora e a ONG foram alvo de operação da Polícia Civil, reforçando o tom de investigação sobre o uso de recursos públicos. A apuração continua em segredo de justiça.

O que você acha dessa nossa leitura sobre a relação entre ONG, contratos públicos e projetos de cinema? Comente abaixo suas ideias, dúvidas e avaliações sobre transparência e uso de verbas públicas. Sua opinião importa.

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