Em São Paulo, a sétima edição do relatório Pele Alvo revela que a população negra, que representa 40,9% da população, responde por 64,6% das mortes provocadas por ações policiais em 2025, conforme a Rede de Observatórios da Segurança.

O estudo, feito com base na LAI (Lei de Acesso à Informação) e dados das Secretarias de Segurança Pública, aponta que, ao todo, houve 834 vítimas da letalidade policial no estado no último ano. Desse total, 499 são negras (pretas e pardas, conforme o IBGE), enquanto 272 foram vítimas de raça branca e 62 não tiveram a raça informada.
A pesquisadora Silvia Ramos, diretora da Rede de Observatórios, afirma que os números não são coincidência, mas indicam um padrão contínuo de violências. “Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições, fica evidente que não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas.”
A Rede de Observatórios, criada pelo CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), monitora políticas de segurança, violência e criminalidade em nove estados. Entre os participantes, integram o grupo pesquisadores do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí e o NEV/USP, em São Paulo.
Mortes por PMs atingem maior patamar em 5 anos: até 19 de dezembro de 2025, o Gaesp do Ministério Público de São Paulo registrou 663 vítimas mortais provocadas por policiais em serviço no estado, um recorde nos últimos cinco anos. Em 2024 foram 653 mortes, superando 2023 (375); o ano atual manteve o patamar elevado com 171 mortes em outubro e novembro.
E você—qual a sua leitura sobre esses números e as políticas de segurança pública? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como você acha que as decisões públicas podem mudar esse cenário tão desafiador.
