PM Gisele: coronel preso faz gesto em audiência para negar esganadura

Resumo: após a morte de Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto tornou-se réu em um caso de feminicídio e fraude processual. A versão inicial de suicídio foi descartada com base em laudos que identificaram marcas no pescoço e na mandíbula da vítima, além de indícios de manipulação da cena. Ao longo de uma fase de instrução com 34 testemunhas, surgiram novos elementos que fortalecem a linha investigativa da polícia.

Durante a audiência, o delegado Lucas de Souza Lopes descreveu que os elementos técnicos já reunidos indicavam outras linhas de investigação que não suicídio. Ele destacou que as novas perícias evidenciaram marcas no pescoço e na mandíbula da vítima, o que levou à reabertura do caso para apurar feminicídio e possível fraude processual. O depoimento foi acompanhado por um caso de alta tensão, com o coronel sinalizando gestos para negar a esganadura, em meio a trechos gravados do que é apresentado como áudio da oitiva.

“Mecanicamente, biologicamente, seria praticamente impossível a vítima ter se atentado contra a própria vítima naquelas condições”,

afirmou o delegado durante a audiência.

Laudos complementares derrubaram a versão do disparo como suicídio. O delegado revelou que a reconstituição dos fatos não confirmou a narrativa do próprio coronel de vê-la caída logo após o disparo, tampouco a posição descrita por ele, que não condizia com as evidências da cena. Além disso, o cartucho da arma não foi encontrado no apartamento, o que, aliado a outras provas, sustenta a hipótese de intervenção externa.

Em outra linha de investigação, a perícia detectou vestígios de sangue em itens ligados ao coronel, como uma bermuda, o box do banheiro e uma toalha rosa. A análise do sangue apontou material compatível com a vítima, indicando possível manipulação da cena. O material também reforçou a hipótese de que o ambiente pode ter sido preparado após o disparo.

“Jamais terá o divórcio” é destacado pela perícia a partir de mensagens extraídas dos celulares do casal. As investigações indicam que Gisele tinha decidido pela separação, com mensagens que contrariam a versão de que o ex-casal buscava manter o relacionamento. A recuperação parcial de conversas também aponta para conflitos crescentes no relacionamento desde 2023.

Além disso, a polícia destacou a sequência de ligações feitas pelo coronel após o disparo. Testemunhas relatam que uma vizinha ouviu um forte barulho por volta das 7h28, mas o socorro só foi acionado cerca de 26 minutos depois. A Polícia Civil aponta que houve contatos com superiores e tentativas de interromper o contato inicial com familiares, antes da chamada ao Samu.

Ao final da fase de instrução, o delegado indiciou o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual. A Justiça aceitou a denúncia, mantendo o militar preso desde 18 de março. A defesa sustenta suicídio, enquanto a polícia sustenta que o conjunto de provas aponta para feminicídio com tentativa de ocultação de evidências.

Versão do coronel sob suspeita

A reconstituição, segundo a polícia, enfraqueceu a versão de que ele teria visto a vítima caída ao solo após tomar banho. A perícia indicou que a posição descrita não condizia com a realidade da cena observada pela equipe. A ausência do cartucho, além de indícios de alteração na cena, reforça a linha investigativa de que houve intervenção externa.

A defesa mantém a versão de suicídio, porém as provas reunidas reforçam o entendimento de feminicídio com fraude processual. O caso segue em investigação, com depoimentos complementares e análises laboratoriais para esclarecer a autoria e as circunstâncias do ocorrido.

E você, o que acha sobre as evidências apresentadas até aqui? Comente abaixo suas impressões e participe da conversa sobre como esse caso pode ser esclarecido.

Galeria de imagens

Observação: o conjunto de imagens está organizado para oferecer uma visão ampla da cobertura, com foco nos momentos-chave do caso, incluindo a oitiva, a cena do crime e as pessoas envolvidas.

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