A Venezuela ainda enfrenta os efeitos de um dos maiores desastres naturais de sua história recente. Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho provocaram um colapso na região, deixando mais de 2.595 mortos e milhares de feridos (conforme informações do dia 02/06). Segundo autoridades venezuelanas, mais de 12 mil famílias foram afetadas pelos tremores, enquanto equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes sob os escombros.
Em meio aos esforços de recuperação, a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma imagem produzida pelos satélites Sentinel-1 que revela como o solo se deformou após os terremotos. O registro ajuda cientistas a compreender a dimensão do fenômeno e pode auxiliar na avaliação dos danos causados pelo desastre.
Para quem tem pressa:
- A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma imagem de satélite que mostra como o solo da Venezuela se deformou após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que deixaram mais de 2.200 mortos;
- O mapa foi produzido com dados dos satélites Sentinel-1, que utilizam radares para detectar pequenas alterações no terreno ao comparar registros feitos antes e depois do desastre;
- Além de ajudar cientistas a entender os efeitos do terremoto, esse tipo de monitoramento pode orientar equipes de resgate e apoiar a avaliação dos danos nas áreas mais afetadas.
Como o satélite detecta mudanças no terreno

O resultado foi obtido pelos satélites Sentinel-1, da missão europeia Copernicus. Em vez de registrar fotografias, esses equipamentos utilizam radares para emitir sinais em direção à Terra e medir o tempo que eles levam para retornar. Ao comparar diferentes passagens sobre o mesmo local, os cientistas conseguem detectar até as mínimas mudanças provocadas por terremotos, deslizamentos de terra e outros fenômenos naturais.
Para analisar o impacto dos tremores, os pesquisadores compararam dados coletados uma semana antes do desastre com os registros obtidos no dia seguinte aos abalos. A diferença entre essas medições deu origem ao interferograma, uma representação que evidencia as deformações ocorridas no terreno.
Na imagem, as faixas coloridas indicam o quanto a distância entre o satélite e o solo mudou após o terremoto. Quanto maior a presença desses indicadores em determinada área, maior foi o deslocamento registrado pelo radar.
Leia mais:
- Terremotos na Venezuela: isso pode acontecer no Brasil? Descubra no Olhar Espacial
- Grande terremoto está próximo? Estudo faz alerta sobre a Falha de San Andreas
- Entrevista: é possível prever terremotos altamente destrutivos?
As maiores alterações aparecem ao longo da falha de San Sebastián, uma das principais estruturas tectônicas da Venezuela, principalmente pela proximidade à capital do país, Caracas. O satélite identificou uma alteração de 30 centímetros na região, mostrando que a crosta terrestre sofreu uma deformação significativa.
Esse valor não mostra necessariamente que o solo apenas afundou ou subiu nessa medida. Durante um terremoto, o terreno pode se mover em diferentes direções ao mesmo tempo, e o interferograma registra apenas a variação total detectada pelo sensor.
Além de ajudar pesquisadores a compreender a dinâmica do terremoto, esse tipo de monitoramento também auxilia as equipes de resgate. As informações produzidas pelos satélites permitem identificar rapidamente as áreas que sofreram maior deformação, orientando avaliações de risco e apoiando as operações de recuperação da infraestrutura afetada.

